04/10/2009

Presa ao tempo, de novo.

Enquanto eu vinha de Sete Lagoas pra cá, a única coisa que eu conseguia pensar era a seguinte: quanto tempo isso vai durar ? Quantas vezes mais eu iria ter que voltar pra casa ?

Simplesmente eu não quero mais morar aqui. Parece que tudo o que eu tenho está lá (o que não é verdade). A questão é que eu já tenho Sete Lagoas como um lar. Que minha casa, - ainda mais agora, que tem sofá de dois lugares e almofada pra dividir com Roberto - já consegue ser o melhor lugar do mundo. E eu, idiota. Quanto eu não quis que isso acontecesse.

Vamos fazer uma comparação: dia 4 de outubro de 2008. Sábado. Aniversário da Ana com o "n" só, eu usando meu vestido de bolinha PELA PRIMEIRA VEZ, e o Luis (um dos muitos) tinha me beijado. Aah, porra, eu era tão idiota! O perfume dele ficou no meu braço e eu não consegui domir. À essa hora, eu devia estar no sofá da sala, me abanando, e com o pensamento lá longe, com o pé sujo de asfalto agarrada com um cara com blusa do Slipknot.
Eu chorava só de pensar na possibilidade de ir embora daqui. Queria me casar com a Ana (ou com o Luis) e morar em Petrópolis.

Dia 4 outubro de 2009. Domingo. Aniversário da Ana com o "n" só, e eu não estava matando ela de vergonha por fazer guerra de bolo com a peituda da Talita no jardim dela. Eu estava com o Roberto, sentadinha no sofá, à moda antiga. Que coisa mais estranha! Nunca imaginei que um dia isso fosse acontecer. Eu já achava que era lésbica. Eu discartei a possibilidade de me casar com a Ana. Muito menos morar em Petrópolis; Sete Lagoas tirou o brilho todinho de lá. Apareceram muitos "Luíses" depois daqueles. Sem falar do Sérgio, que aparece que nem Lua Cheia, quase periodicamente. Apesar de ele espantar minha convicção e matar o Roberto de ciúme, eu ainda gosto muito dele. É um bom amigo, éer.

Hoje eu já pensava em outra coisa. Em outros 4 de outubro que eu já vivi. Numa quinta feira ligando pro Victor, meu exmelhor amigo, ou qualquer outra coisa do gênero, é isso que ele era.
Quanto tempo essa "sensação de 4 de outubro" ia durar. Porque sempre era tão diferente? Será que 4 de outubro de 2010 eu ainda vou sentir saudade retraída, idiota e fraca da Ana? Será que eu vou me lembrar dela? E o Victor? E o Luis? E o Roberto? E o dia de calor?
E a Lua perfeita de 4 outubro de 2008 que prevaleceu ainda em 2009?
E a "amizade perfeita" de 4 de outubro, de 2 de fevereiro, de 15 de março, de 7 de janeiro?
O que será que vai acontecer?

Enquanto eu vinha no carro, a única coisa que eu via era o pôrdosol. A nuvem se esgueirava na frente dele, cinza, pra mim conseguir olhar sem serrar os olhos.

Eu queria que isso se repetisse. Como "meu" 4 de outubro de 2008.

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