31/12/2010

Memória é sinônimo de Música


Creio que eu não seja a unica a ouvir musica. Creio não, tenho certeza absoluta.
Quantas vezes não ouvi, cantei, cantarolei, murmurei ou recitei alguma musica com as amigas na sala de aula, no pátio da escola, com o namorado enquanto tocamos violão. Pensei várias vezes em fazer uma retrospectiva, para conseguir reviver cada gostinho, cada beijo, cada abraço, cada lágrima, cada ... música de 2010. Quanta coisa para dizer, para chorar lembrando... cantar para mim é tão fácil! Ouvir cantar... melhor ainda!

Resolvi contar como foi o meu ano. Em forma de música. Não vou agradar a gregos, troianos e loiras, mesmo porque, é impossível.

- Nada contra loiras, modo de falar. -
Enfim...

28/12/2010

O Coração


- Ceres, toma. - disse, jogando em cima da carteira.
- O que é isso, Samuel? - perguntei, olhando pro cristal em forma de...
- Coração. Meu coração.
  Ele saiu andando, com convicção.
- Sério?
  Ele parou, e olhou para mim.
- Você me deu mesmo? - eu disse estendendo a mão com o coração na palma.
- Sim, dei. - e voltou a andar.
  Olhei aquela coisa reluzente que, mesmo sem olhos, retribuia o olhar.
Fiquei calada por alguns segundos.
- Ceres, o que é isso?
- O Samuel me deu o coração dele.
  Aquele coração rodou a mão de metade da sala, e eu não sabia o que fazer com ele.
Joguei na mochila. Tirei da mochila, fotografei. Coloquei na estante, como um troféu.
E só. É lá que ele vai ficar.

Eu desejo...


- Quando te conheci, nunca imaginei que ficaríamos juntos, e que você me faria tão feliz. - eu repeti.
Eu virei o pescoço, para poder olhá-lo melhor.
Ele sorria para mim, e ajeitava meu cabelo com carinho, colocando-o atrás da orelha.
- Você foi a melhor coisa que aconteceu comigo esse ano... - eu continuei.
Me olhando com cautela, ele segurou meu rosto com as duas mãos, e me beijou.
Ainda de olhos fechados eu sorria. Sorria, porque não conseguia fazer outra coisa. Ainda sentia suas mãos protegendo meu rosto, e sua respiração muito perto de mim.
- 10
- 9
- 8...
Ele se levantou e me puxou com ele. Me abraçou com força, e me levantou uns 5 centímetros do chão enquanto cheirava meu cabelo.
- Te amo.
- Também ... digo, te amo.
- Hã?
- Eu não te amo também, eu só te amo. Te amo pelo fato de você existir, te amo pelo fato de você me ouvir, de me abraçar, de simplesmente sorrir para mim... te amo por isso. - e sorri para ele novamente.
Ele abriu um sorriso maior ainda, e me beijou novamente.
Quando dei por mim, os fogos já queimavam céu afora. Era um Ano Novo que começava.
- Feliz Ano Novo.
- Feliz Ano Novo.
Naquele dia, descobri que todas as minhas expectativas que eu tive durante o ano, coisas que eu nunca pensei que se realizariam, estavam ali, comigo. Descobri que sonhar com amor, nunca é demais.
Estava convicta que, nesse ano que começava, eu não tinha empecilhos para conseguir o que eu queria.
- Tem problema se eu te contar o meu desejo?
- Não, porque eu acho que o meu é o mesmo.
Eu sorri.
- Quero ficar com você esse ano.
- E no outro.
- E no outro...
Pulei no seu pescoço, e beijei seu rosto. Senti ele me apertando pela cintura.
Eu não precisava de mais nada. E meu desejo era esse. Meu não, nosso desejo.

Pauta para o Projeto Bloínquês

24/12/2010

Sobre Pequenos Milagres Natalinos


Já vou começar dizendo que, se caso você não tenha muitos dotes culinários, não tente fazer milagres cozinhando pra família inteira. (é brincadeira)

Dia desses, estava no Silva Jardim, o centro espírita que eu frequento. Cheguei e cumprimentei a todos, como sempre fazia. Quando me viram, disseram que queriam me mostrar uma coisa. Fui atrás. Abriram a porta com cautela, e empurraram, para que eu pudesse ver o milagre com detalhes: eram muitas cestas básicas, aos montes, fazendo pirâmides e escalando a parede, numa sala relativamente média. No canto havia uma mesa  com as quatro pernas tampadas pelas doações; cheia de enlatados em cima.
- Olha o que o espírito natalino não faz! 
Me recostei na soleira da porta, e, também sorridente, admirava o nosso milagre natalino.

Acredito na hipótese de que no Natal, acontecem milagres. Que uma sala pode se encher de doações em alguns dias, que o primo do interior pode ser mais legal do que se imagina, que seu tio pode sim, gostar da música que você aprendeu a tocar no violão, que seu avô goste do seu namorado, e, mais ainda, do fato de ele gostar de você.

Só não quero acreditar que todos os milagres estão concentrados nessa data.
Vamos fazer um Natal diferente. 

Não estou falando em exercitar toda a sua paciência com sua priminha mais nova e com seu irmão,
ajudar com a louça depois da ceia, lavar o carro para o seu pai, fazer um carinho no cachorro hoje.
Estou falando de fazer um pouco disso, todos os dias, para tornar cada data do ano, uma data de milagres.

21/12/2010

O Poema



Encontro na esquina
O primeiro olhar e um suspiro profundo;
Um desejo esperto e um sorriso lindo;
Pedi um beijo e simplesmente;
                   Beijei.
                   Amei.
                   Felicidade, cantei.
                   E com ela eu fiquei,
                   Pra sempre. 


Te amo, Matheus.

20/12/2010

Sobre Ditas Histórias de Amor

Já contei que é a Conspiração Vital que me fazia escrever. É uma espécie de "Inspiração Vital", segundo minha amiga Bia. Sabe qual é o problema? Não tem mais Conspiração Vital. Não tem.
Então você, minha querida, que sofre de amor platônico, de não ser correspondida, se sinta feliz.
Por que, quando isso tudo acabar, e você tiver um namorado lindo, planos pra faculdade, roupas legais, e, fazer o que gosta, com certeza, você vai custar a escrever. Tá bom, você pode ter sorte, tipo a Br Vieira, do blog Depois dos Quinze (que aliás, eu adoro). Pelo o que eu sei, aconteceu o mesmo com ela. O "amor-sofrimento" acabou, e ela foi escrever sobre outras coisas, e deu certo. Não, não é o meu caso, porque simplesmente eu não consigo mesmo. - Disse isso quando fui fazer pestana no violão, e depois eu consegui, mas mesmo assim, é diferente.- Então, voltando ao assunto, o sofrimento, a dúvida, e todas essas coisas rendem textos legais, seja de qualquer gênero. Isso não é um regra, porque senão todos os escritores famosos seriam um poço de tristeza e desilusão. Não conheço nenhum para poder dizer isso, mas né, toda regra tem sua excessão, e eu acho que nesse caso, as excessões são muitas.
Essa semana eu tentei escrever um trilhão de vezes aqui no blog. E não consegui. Toda vez que eu não dou conta, ou eu vou ver o blog da Br, o Depois dos Quinze, ou vou começar a ver o filme 500 Dias Com Ela (começar, porque eu nunca terminei). Pode parecer que não, mas isso tem uma ligação. Tudo aqui começou de uma história de amor. E histórias de amor que tem graça são as piores de viver. (Aliás, pensando bem, não são de amor). Foi assim que nasceu o Conspiração Vital, o Depois dos Quinze, e é disso que fala o filme. Não vou fazer sinopse nem essas coisas.
É isso que eu queria dividir com vocês. As ditas histórias de amor, mas sem amor rendem coisas boas, pelo menos nesses casos.
Agora já é tarde, está quase todo mundo de férias, com marca no braço, porque tomou sol de blusa.
Já dei duas ideias, dar uma lida no Depois dos Quinze e curtir a Zooey Deschanel nos seus melhores ângulos (isso foi meio "lésbico", mas tudo bem).

Filme "500 Dias Com Ela" na íntegra

Então, sinceramente, espero que você tenha uma história chata de viver, mas boa pra contar.

10/12/2010

Sete Lagoas Piscando

Eu estava sentada na cama, com as pernas cruzadas, e um alicate de unhas na mãos. Levava um dedo na boca, olhava com muita cautela para ele, para, depois, corta-lhe, de modo desapropriado as cutículas.
Meu coração ia contra todo o raciocínio: palpitava, pulava. Chegava a doer o peito.
Agora, deslizava o pincel sobre as unhas, com esmalte roxo.
- Tá horrível, Rúbia, olha isso. - E esticava as mãos, para poder analisá-las.
- Que isso, Ceres, pára.
Me distrai comendo, tomei um banho cauteloso. Estava atrasada, estava nervosa, estava louca, mas não demonstrava. Sai correndo e amarrando o cadarço do All Star.
Me despedi de Rúbia, subi no ônibus.
Vim sentada sem postura alguma. Desci, correndo, de novo, e olhando, periodicamente, mais exatamente de um em um segundo, as horas no celular.
Parei na esquina. Respirei fundo.
O fato de não vê-lo dali me deixava mais nervosa ainda. Dei mais alguns passos, até que minha respiração voltou ao normal. Eu entrelaçava meus próprios dedos com as duas mãos na frente do corpo.
Eu o vi. Parado, de costas para mim.
Continuei, no mesmo ritmo, a andar em sua direção.
"Será que ele vai me beijar?"
Soltei as mãos devagar.
"Não vira, não vira!"
Projetei as duas mãos, e fui chegando mais perto dele.
De uma vez segurei-o pela cintura, e ele se virou pra mim, assustado.
Primeiro: ele riu.
Nunca, nunca havia reparado o quão seu sorriso é bonito.
Ele me cumprimentou como sempre fazia, me abraçando.
- Como você está?
- Estou bem. - eu disse, apreensiva.
Segundo: ele, com carinho, pegou na minha mão, entrelaçando meus dedos nos dele.
Fazia muito calor. Ele estava com uma blusa de manga comprida com o Kurt Cobain estampado na frente. Eu havia elogiado essa blusa dias atrás.
- Você gosta de boné, Ceres?
- Não mesmo.
Ele riu, passando a mão direita na cabeça sem boné. Eu ri com ele.
- É, eu imaginei isso. - ele disse.
Eu sorri para ele.
"Deus, e ele que não me beija!"
Conversamos por horas. Para mim, foram horas. As mãos suavam, mas eu não largava, e duvido que ele pensasse nessa hipótese.
Paramos. Ele se virou para mim. Num susto, me beijou.
Até hoje, o peço para ver se consegue me beijar daquele jeito de novo.
Ele nunca consegue. A cada dia beijá-lo fica melhor.
Minhas mãos ele não solta. Cada pedaço do corpo dele é meu preferido: a cicatriz perto da boca, os lábios, as mãos, as pernas.
Morro de saudade quando ele vira a esquina. A blusa do Kurt Cobain, agora é minha.
Terceiro: Meu coração, agora é seu, Matheus. E vejo luzes piscando em todo lugar que eu vou, porque você está comigo.

30/11/2010

[Quando ele ler, dá um título]

Eu suspirava. Cantava qualquer música capaz de não me distrair. Curtia aquela coisa que ele tem de levar meus olhos involuntariamente para a sua boca, suas mãos que sempre mexem nos meus cabelos. Fecho os olhos pra ouvir sua voz com mais atenção. Ele consegue fazer com que minha frequência cardíaca aumente consideravelmente com um unico beijo.
Posso dizer uma verdade?
Ele é perfeito.
Parece fantasia, filme de "Sessão da Tarde", e como diria a Michele, propaganda de margarina.
Parece qualquer coisa que eu sonhara pouco vagamente o tempo todo.
Parece um objetivo de vida alcançado, felicidade completa, sensação de não precisar de mais nada.
Juro, até agora, me distraí.
Ainda penso nele como eu pensava enquanto esperava nosso primeiro beijo.
Ainda penso nele como se fosse a primeira vez que ele me disse "Eu te amo".
Ainda penso nele da mesma forma do que dia vinte e três de novembro, a uma e cinquenta e oito da manhã, pra dizer que, melhor do que isso, me ama absolutamente.
Ainda consigo escrever qualquer tipo de texto falando de você de forma concreta, tudo bem?
Não terminou do jeito que eu almejava, mas ah, você tá aqui no sofá, do meu lado, virado pra TV para não ver o que eu estou digitando.
Ai ai.
Te amo, Matheus. Absolutamente.

03/11/2010

A Conspiração sempre será Vital

- Sabe qual é o problema?
- Hm.
- A Conspiração é Vital.

Agora eu vejo, dois dias depois, que isso não é um problema. Na verdade, isso se tornou meu consolo. Me consola o fato de saber que quando a vida conspira contra mim, é sinal que eu ainda tenho chance de acertar, e, se eu errar, é pura e simplesmente aprendizagem.
Aprender com os tombos. Aprender com a conspiração. Isso foi o que eu vi como objetivo dois anos depois de descobrir que isso tudo existia contra mim. Contra mim, e todos nós.
A conspiração me levou Belo Horizonte, me levou tudo o que um dia para mim era vital. E me trouxe Sete Lagoas, me trouxe saudade, e um pedacinho de Belo Horizonte que eu simplesmente não conhecia. O que - olha, que surpresa - realmente é vital.
Sabe o que é vital?
É acordar um dia, e saber que esse é mais um dia perto de quem você ama, sendo amada.
É entrar em casa e saber que aquilo é seu e da sua família, que ali nada nem ninguém os alcança, que assim, poderão construir sua felicidade.
É saber onde é seu lugar.
É encontrar seus reais objetivos.
É dizer "Eu te amo", e saber que é recíproco.
É saber que as pessoas dão valor à sua amizade e confiam e você.
Vital é ser realmente feliz, em todos os aspectos.
Desculpa. Menti para você esse tempo todo sobre meus conceitos conspirandos.
Se antes eu escrevia pra reclamar da minha Conspiração Vital, prometo que agora vou ser só elogios pra ela.
Agora eu entendi o por quê das coisas, e parece que isso tudo para mim não faz mais sentido.
Talvez isso seja conspiração, não é?
Espero que sim.

Feliz Aniversário de dois anos, Conspiração Vital.
Feliz Aniversário de um mês de namoro, Matheus.

(Matheus: consequencia da Conspiração, que é Vital.)

25/10/2010

Amar, sumir e depois, viver

Querido,



Não sei o motivo concreto de você ter me mandado aquela carta. Eu sei que você não se preocupa realmente como a minha plenitude e felicidade. Se se preocupa, nunca me foi provado. Foi de total mau gosto, confesso, mas, mesmo assim, eu li e reli uma centena de vezes.
Nesse exato momento em que lê essa carta, a única certeza que poderá ter é que minha felicidade, minha satisfação, meu amor próprio são inferiores aos seus; porque você os levou. Levou tudo o que pode levar. Levou e não repôs. Como, meu Deus, como ainda terei se só levara de mim?
Repito que infelizmente, ainda sou apaixonada por você. Repito que, minha vida inteira, quis que ficássemos juntos. Você tem a consciência disso.
Mas não me arrependo. Não me arrependo de ter sentido por alguém algo tão bonito, tão forte. Algo que sempre foi o mais importante para mim. Para quê se arrepender? Meu amor só não foi retribuído. Eu só aprendi a te amar sozinha. Você teve o tempo todo, o amor à sua frente e não soube vivê-lo? Arre! Estou farta, outro alguém me dará merecido valor!
Se agora quer retribuir-me, irei negá-lo. Por simples orgulho. Por que, se pude amá-lo nessa intensidade, e por tanto tempo, serei capaz de amar outro alguém. E se eu acredito nisso, sei que consigo.
E se você quer mesmo me recompensar por isso tudo, vou pedir de novo a você que suma. Suma de vez da minha vida, dos meus olhos, do alcance das minhas mãos, do meu coração. Saia de mim através das lágrimas que deixo rolar por minha face agora. Se não pôde me amar, pelo menos esqueça que um dia te amei. Esqueça que um dia eu poderia pertencê-lo.
Tente agora, amar alguém por conta e risco do seu coração. Não tente amar porque é amado, como não acredito que tenha feito. Ame como fosse seu ultimo dia de vida. E veja o que acontece. O que ocorrer, independente do que for, não será nada a mais, nada a menos do que você construiu.


Boa sorte.


Pauta para projeto Bloínquês.

20/10/2010

Verbo de hoje: Esquecer


Quatro quarteirões depois e eu lembrei que não sabia dirigir. “Se já estava ali, conseguiria fazer o resto.”- Era disso que eu tentava me convencer. Após conseguir o controle do carro, triunfalmente, conseguia também pensar no que me levou a aquela situação. Para ser exageradamente sincera, eu já não aguentava mais aquela história idiota à qual fui submetida a viver. Era absurdo o fato de ter me apaixonado por ele. Era absurdo, e perfeito demais para que eu pudesse acreditar. A queda foi brusca. Para mim. De pensar que um dia eras um anjo, era minha companhia, era quem eu queria amar. Sabe no que foi você é bom? Em enganar-me. Em provar-me que eu era uma completa idiota. E depois fazer com que eu acreditasse em tudo.  Freei o carro, depois de ter arrastado quilômetros de lágrimas atrás de mim. Não sabia exatamente onde eu estava, mas isso não me preocupava. A sensação que eu tinha, depois de chorar tanto, era de liberdade. Não precisava de mais nada. Coloquei as mãos por cima das pernas, após tirar o cinto. Meu coração, paulatinamente, parava de pulsar com força. Respirei. Arrastei as mãos devagar em direção à fechadura do carro, para dar tempo de continuar respirando. Desci do carro, e coloquei meus pés descalços na areia. Saí andando, de olhos fechados, confiando no vento que batia no meu rosto. Era mais fácil confiar nele do que em quem nem quero mais lembrar o nome. Com a mesma rapidez com a qual eu me apaixono, cheguei a me esquecer de até como chegara ali. Não sabia como voltar para casa, nem porque aquilo me machucara tanto. Depois, nem aquilo me importava mais. Fiquei ali, até achar que minhas feridas haviam cicatrizado. Fiquei ali só até antes do amanhecer. Consegui acreditar em mim. Consegui acreditar que havia esquecido.

Pauta para o projeto Bloinquês

30/09/2010

Lembranças

Vejo o Dia chegar se arrastando
Vejo que tudo ainda acaba me machucando.
Não quero ver mais nada.
Já sinto que a tristeza estampa o meu rosto.
Queria fechar meus olhos,
e apenas deixar que a vida venha ao meu encontro.
Não sei mais rimar
Não sei mais amar
Não sei mais viver.
A minha consciência sobre as coisas vem aumentando.
A última coisa que eu desejaria.
Poder fazer sem ser responsável
poder fazer achando fácil
realizar o que é ou não tão indispensável.
Se preocupar apenas com você mesmo
sem se queixar, nem saber se machucou alguém.
Se jogou, se pisou, se amou...
E eu que falei "nem pensar!"
agora vejo conscientemente que disse errado.
E mesmo contra minha vontade, vejo o dia se arrastando.
Se arrastando, e melhorando.

29/11/2008

16/09/2010

Café para Dois


A única coisa que eu estava tentando fazer, naquela hora, era esquecer o quão eu era frágil em relação à ele. Me sentei tonta à mesa do café. Tirei da bolsa meu livro, e dependurei a bolsa no encosto da cadeira de madeira. Rapidamente, larguei o livro em cima da mesa, acendi um cigarro, e fechava os olhos devagar, quando me atenderam:
- O que você deseja? - me perguntou uma menina loirinha.
- Café. Forte e com açúcar.
A mocinha de roupa curta saiu com um bloquinho de papel na mão, rebolando.
Abri meu livro, mas não conseguia me concentrar em uma palavra se quer.
Não conseguia parar de pensar no ônibus. Não conseguia parar de pensar em quem lá entrou e me deixou. Tirei o cigarro da boca, e amassei-o contra o forro branco da mesa.
E eu chorava. Chorava por ele ter me deixado. Chorava pelo fato de a ausência dele me doer tanto. Chorava, chorava, e chorava.
A mocinha loirosa e bunduda voltou, e colocou a xícara na minha frente.
Esfreguei os olhos com certa raiva, e quando vi, a loirinha não estava mais ali.
Peguei a xícara com as duas mãos, e a única coisa que eu quis foi me afogar naquele café que nem o açúcar eu joguei. Num gole, a xícara estava vazia.
Um ardor incômodo eu encontrava na garganta. Coloquei minhas mãos frias no pescoço numa tentativa frustrada de me aliviar.
Sentou-se alguém a minha frente, sorridente.
- Você? - eu disse, rispidamente pra minha companhia.
- E quem você queria que fosse? - ele disse, ironico.
- Você sabe muito bem quem eu quero, seu idiota! - eu gritei, chorando novamente.
Ele me olhou com certa misericórdia, mexeu no cabelo, suspirou e disse:
- Desculpa, sério, desculpa.
Eu levantei o olhar pra ele, e tentei esboçar um semblante melhor.
Ele chamou a loirinha de volta, e pediu mais dois cafés.
- Desculpa, mas não consigo mais tomar café, não dá mesmo. - eu disse.
Ele me olhou, e deu uma risada curta.
 Vieram as xícaras de café e a conversa tomou outro rumo. 
A loirinha saiu rebolando de um jeito no qual eu já me acostumara, e ele acompanhou ela com os olhos por uns segundos.
Eu, para minha própria surpresa, comecei a rir dele.
Ele sorriu de volta, um sorriso que eu descobri que precisava ver naquele dia.
- E então, - ele disse, depois da minha risada- como você está?
- Estou bem, eu acho. Você ficou sabendo?
- Que ele foi embora?
Permaneci calada.
- Fiquei sabendo sim... eu sinto muito. - ele esboçou uma cara triste. - Mas posso te falar uma coisa?
- Pode. - eu disse, em tom baixo.
- Não te tiro o direito de ficar triste... mas espero que você não dê mais tanta importância pra isso.
- Não consigo.
- Ceres - ele respirou-, você sabe o por quê de eu estar falando isso pra você.
- Sei? - indaguei, sem saber mesmo o motivo.
- Eu sei que sabe.
Ele levantou de onde estava, e arrastou a cadeira, com cuidado pro meu lado. Se sentou nela.
- Era aqui - ele disse, olhando para o chão, onde estava-, era aqui que eu estava, do seu lado. O tempo todo. E isso não vai mudar agora, tá bom?
- Que bom. - eu respondi, sem graça.
Ele passou o braço esquerdo em volta do meu ombro; e eu me permiti a deitar no ombro dele, segurando a sua mão do outro lado.
- E quer saber?
- Quero.
- Espero que um dia você sinta por mim o que você sente por ele agora.


p.s.: Este texto é só um conto. Apenas usei meu nome.
Ah, e eu não fumo.

Pauta para o projeto Bloínquês
Imagem: we♥it

11/09/2010

Pra Mergulhar

Parece tão distante de mim tudo o que almejo.
Um amor sem medo, sem receio.
Livre de incertezas. (e gorduras trans)
Um amor grande, bonito, azul.
Um amor desfarçado de mar.
Pra se molhar, pra se banhar.
Pra mergulhar.
Pra se afogar.
E nunca, nunca mais voltar.

09/09/2010

Um por Vinte e três


Ele segurou meu rosto com uma mão só, e foi chegando a boca dele perto da minha. Eu fiquei parada, do mesmo jeito que estava enquanto falava que iria vender toda a minha coleção de revista Capricho. Não queria pensar demais, porque, se pensasse, viraria o rosto. Não pensei, não virei o rosto, e ele me beijou. Me beijou, devagar, do jeito que ele sempre fazia, mas eu tinha esquecido de como era. Ele parou e ficou esperando minha reação. Tentei não esboçar nenhuma. Ele sorriu pra mim, eu sorri para ele, que se virou, e saiu de perto. Suspirei.
Enfiei todas as vinte e três revistas dentro da minha mochila. Estava convicta de que não precisaria mais delas. Estava convicta de que não queria mais saber o que o Justin Bieber ou a Lady Gaga andavam fazendo, e que, meu estilo já estava pronto, dentro de mim, não naquelas páginas coloridas. Fui pesada, vagarosa e falante ao lado da Rúbia; e entramos na loja onde havia uma placa que dizia "vendemos, trocamos, compramos."
No fundo do recinto, onde eu podia ver estava um homem magro e de aparência que quase não me agradava de certa forma. Esperei, calada, que ele me desse atenção.Uma mulher com nome diferente (e que tinha o número começado com 9999) fazia o favor de puxar a atenção do homem, por causa do Freddie Mercury. "Só  Freddie Mercury, o resto não interessa."
Rúbia andava sala afora, lendo gibi.
- Você compra revistas; não compra?
- Compro.
- Eu tenho vinte e três revistas Capricho.
- Não.
- Não?
- Deixa eu ver.
Coloquei, em pilha, as revistas na frente dele, que por sua vez demasiado analisou-as.
- Essa daqui, essa não... - dizia enquanto separava alguma delas.
Depois colocava tudo em uma pilha só, dividia-as novamente... E eu trabalhava forçadamente a minha paciência diante daquilo.
- Dez reais, e essas daqui não. - disse, empurrando uma pilha menor.
- Dez? - olhei pra Rúbia.
- Dez!?
- Dez. - ele repitiu, calmamente, pedindo um balde d'água cabeça afora.
Contei as revistas. Na pilha que ele escolheu, haviam dezessete.
- Gastei 85 reais nelas.
E ele me explicou que precisava de ter mais lucro que eu, e que foi burrice minha gastar tanto dinheiro com revista (minha conclusão).
O telefone tocou, e o magrelo estrábico atendeu com simpatia alguém que procurava um livro do José de Alencar.
- Você pode escolher outra coisa. - disse, desligando o telefone.
Saí sala afora, distraída com aquele mundo de revistas e livros. O cara acendeu as luzes para mim. Feliz Ano Velho, Blecaute, O Meu Pé de Laranja Lima.
Eu ignorava tudo o que me pareceria muito óbvio para opção de escolha.
Conversava com o magrelo enquanto percorria a sala. Rúbia continuou lendo gibi e "rindo feito o Marcos".
O alguém que ligou procurando o José de Alencar apareceu, e comprou o livro.
- Agora o magrelo burguês vai registrar seu lucro - falou de modo irônico o magrelo que pra mim é louco, enquanto digitava em seu computador.
A essa altura Rúbia já tinha se levantado, e se proposto a me ajudar.
Atrás de algumas prateleiras estavam algumas revistas Playboy fazendo montes perto de nossos pés. Rúbia me cutucou com gentileza, e quando eu a olhei, ela apontou para o chão. Analisei aquilo tudo, sem colocar as mãos, considerando o fato de nunca ter folheado uma revista daquela. Estava habituada à Capricho, sabe como é. Vi, escrito de vermelho e em letras grandes a palavra "Cléo", perto de uma coxa carnuda. Cléo Pìres. Não exitei em pegar a revista, e folhear com cuidado.
De algumas coisas você pode ter certeza (caso nunca tenha lido uma Playboy): Não é só pornografia. As fotos são muitos artísticas, bem tiradas e de muito bom gosto. Homens compram revista com conteúdo, de certa forma.
Larguei a revista grossa e proibida no chão, onde estava antes, bem pertinho do meu pé.
Me levantei, e estava, na prateleira: O Beijo.
Peguei, coloquei debaixo do braço, girei por algumas prateleiras ainda, e acabei levando o livro dos beijos. Um por vinte e três. Ele veio solitário dentro da minha mochila, ocupando o lugar das vinte e três revistas Capricho. Tomara que ele seja bom, porque ele me fez lembrar de hoje de manhã. E quer saber? Se ele me beijar de novo, eu não vou me incomodar nem um pouco.

imagem: we♥it

11/08/2010

Não


Apoiei a cabeça na cortina azul da janela do ônibus. Ali, ela batia em certo compasso. Daquele modo, eu quase dormia. Dormia, sim, porque não havia mais o que pensar, só o que fazer. Nada me deixava melhor em relação à isso. Não deixava, e ainda não deixa.
Fazer? Eu? Não, isso não. Não quero fazer isso.
Sei o por quê e a necessidade disso; mas me recuso. E recusar, pra que? Não querer fazer, por que?
Andava avoada rua afora. Tinha uma vontade enorme de me afogar, não importa em que fosse. Em choro, em livro, em música, em seios, em lagoas. Em sete lagoas.
Hipocrisia a minha. Sei o que tenho que fazer e simplesmente não quero.
Enquanto for assim, sofrerei. Sofrerei em forma de crônica. Sofrerei noite afora. Sofrerei beijando a cidade inteira. E que diferença isso faz? Para mim, faz. E mesmo assim, sofro. Simplesmente por te querer demais.

07/08/2010

Desencontro Setelagoano

                         por Isabela Estanisláo, a menina que não bebe leite.
Não, eu não me perdi em Sete Lagoas, muito menos estive por lá. O que eu desencontrei foi uma amiga naturalizada ounão como setelagoana. Pra quem não conhece, Sete Lagoas é uma cidade localizada a 70 quilômetros de BHComo diz o wikipédia .. " A cidade dos sete lagos encantados". Mas bem .. se são ou não, eu não sei. 
Mas enfim, essa minha amiga veio passar uma semana aqui em BH, justo na minha única semana de férias, então tive que marcar de encontrar com ela. Até ai tudo bem .. o problema foi onde e quando a gente marcou ...
Era uma terça feira, o dia parecia comum, o céu estava até bonito diga-se de passagem. Acordei e fui me arrumar. Quando terminei de tomar banho olhei pro espelho e perguntei pro meu reflexo:  PURA QUE PARIU ! Como eu chego no shopping cidade ? Além de ter uma terrível mania de conversar com o meu reflexo no espelho eu nunca, isso mesmo, NUCA tinha ido sozinha pro shopping cidade, portanto nunca prestei atenção no caminho, logo não sabia como chegar lá. Eu sabia que eu tinha que pegar o ônibus azul que passa aqui na rua de casa, também sabia que se eu olhasse no google maps eu chegaria lá bem mais fácil do que sair perguntando pra todo mundo onde ficava o shopping mais popular de BH. Isso sem contar com o Oiapoque, Xavantes e Tupinambas. Rá, trocadilho #fail. Mas voltando para a história ... Eu já estava atrasada e se eu olhasse no google iria atrasar mais ainda. O jeito foi pegar o ônibus, fazer carão a la Vanessão e perguntar onde ficava. Juro que até pensei em usar algum sotaque pra fingir que eu não tinha a menor ideia de onde eu estava indo, mas meu mineirês iria me desmascarar rapidinho. Por sorte achei uma  moça que tava levando a sobrinha pro cinema e não precisei perguntar pra ninguém. O complicado foi seguir as duas até o lá .. nunca vi duas pessoas andar tão rápido, não andar correndo, andar mesmo. Eu com meu oteeemo preparo físico, tirei de letra. NOT. Cheguei cansada, mas cheguei ! Quando entrei foi um alivio, mas quando vi a escada rolante entupida de gente, o alivio passou. Subi 3 lances de escada rolante até chegar no piso do cinema, juro que me deu vontade de chorar quando vi aquele tanto de gente formando uma fila quilometrica que dava voltas e mais voltas. Mas também, o que deu na minha cabeça ? Era férias escolares, era terça feira, o dia mais barato da semana,     em um dos cinemas mais baratos ! Tuuuudo bem, eu já tava la meso né ? Agora eu só tinha que achar minha amiga. Dei umas 5 voltas por tudo e não achei. Fui na leitura, procurei um livro que tava querendo e voltei para procurar ela. Ai depois de tanto andar que me lembrei que eu tenho um celular e ele serve para ligar para as pessoas. Mas quem disse que eu tinha levado meu celular ? HAHA. Ai pensei em sair perguntando as pessoas se elas tinham visto uma menina, relativamente do meu tamanho, mulata, cabelos lisos e com todo perdão da palavra .. uma bunda e par de coxas que seduziria qualquer marmanjo por ai. Mas ai imaginei quantas outras meninas parecidas com ela podia estar lá, até porque parecia que todo mundo resolveu ir no cinema naquele dia ! Logo desisti da ideia. Mas fiquei pensando sobre as características dela. Que pra mim, por acaso são sete características marcantes. Sete características de uma Setelagoana. Coincidência ou coisa do destino ? Tanto faz, não acredito em nenhum dos dois mesmo. HAHAHA. Mas depois de tanto esperar, andar e procurar acabei desistindo e não encontrei a Ceres. Teria sido culpa de uma conspiração vital ? Sei lá ! Só sabia que eu só a veria na sexta feira, pra tirar algumas fotos e me despedir, pois ela iriam voltar logo pra sua cidade das sete lagoas tão encantadoras como as suas sete características: Ser diferente de tudo e todas, ter uma voz inconfudivel, ser uma mulata que poderia esbanjar sensualidade atraves do seu corpo, mas prefere atrair olhares por ser quem é, é apaixonada por céu, coleciona all star, ama o Axl e é mesmo à 70 km de mim, continua sempre junto de mim. Até por que, quem foi que disse que pra ta junto precisa ta perto ?  

31/07/2010

70 quilômetros

Seria egoísmo meu pensar que quando eu lá chegaria, tudo estaria do jeito que eu deixei. Egoísmo e hipocrisia. Para falar a verdade, não havia mudado muita coisa. Era o mesmo sofá azul-marinho no meio da sala de chão de madeira; o móvel - solitário apesar do sofá - sem TV em cima, triste. As janelas, tão grandes quanto eu conseguia me lembrar, a mesa... tudo. Tudo aquilo me trazia naquele momento (e agora, por lembrar) uma nostalgia imensa. Tão grande quanto a minha rua de um quarteirão que um dia eu quis ladrilhar. Por mais que, a vida inteira eu ali morasse, naquele dia no qual eu lá cheguei, eu sentia, mais do que nunca, que tudo aquilo que eu amo não pertence mais a mim. E que dor isso me dá! Que dor!
Dói saber que quem eu deixei ali pertence a mim em partes, que venho perdendo todos, aos poucos. Venho perdendo um pouco de mim mesma no namorado da amiga que um dia não quis amar, na solidão da outra que se recusa a fazer o que sempre fez, nos lábios de quem eu acredito que sempre amei... Como dói voltar e não sentir que ali você mora, que em algum lugar, a exatamente 70 quilômetros de distância está uma vida, SUA VIDA!
Seria egoísmo meu pensar que quando eu lá chegaria, tudo estaria do jeito que eu deixei. Egoísmo e hipocrisia. Para falar a verdade, não havia mudado muita coisa. Eram os mesmo sofás amarelos, distribuídos de forma diferente pela sala, o móvel, feliz, acompanhado, com uma TV em cima, os livros, o computador. Aquilo não doía,  não me dava nostalgia, me dava até, conforto. Eu morava ali, numa rua de não sei quantos quarteirões, que um dia eu vou querer ladrinhar. Tudo aquilo pertencia a mim. Inteiramente, com todas as partes, frações e vontades possíveis. Só é novo. Ainda. As janelas, menores, me mostravam nada mais, nada menos, que uma vida. A MINHA vida. Daqui setenta quilômetros rua abaixo direita, esquerda, e tudo mais, estão minhas lembranças. Meu passado. Essas Sete Lagoas não são um motivo para que eu esqueça disso. Por mais que doa.

19/07/2010

Pedestal


Vou tentar. Vou tentar ouvir nossa música e não precisar de apertar e puxar a manga da minha própria blusa, só para parecer que dói menos; vou tentar deitar a cabeça no travesseiro, e não chorar sua falta, não colocar o amor, o seu amor, em cima de um pedestal, acima de todas as coisas. E depois (nossa, que surpresa!), amar sozinha. Te amar sozinha. 

Vou tentar não ter que voltar, apesar de não precisar. Afinal, fui sempre sua. Sempre serei, com meu, seu, amor em um pedestal, te amando sozinha. Não chorar, nunca mais chorar, por não me ver em suas fotos.Vou me entender com meu vazio, com a minha distância obrigatória. Te amando, sozinha, tentando.
Espero, um dia, quem sabe, conseguir.


17/07/2010

Nós, para nós


Eu estava muito, mas muito ansiosa. Sentada à cama, eu colocava as mãos sobre minhas pernas, trêmulas, e cantarolava uma música qualquer, pra ver se me acalmava.
Era difícil acreditar na possibilidade de vê-lo de novo. Melhor do que vê-lo, seria fugir. Fugir para ele, fugir com ele.

Eram seis da manhã, o sol pairava baixinho, iluminando as poucas coisas que eu queria ver pela ultima vez.

A casa toda dormia. A mochila, cheia, estava jogada num canto. Eu a olhava, e me dava uma sensação inexplicável.

A cada dois minutos me levantava da cama, e, inquieta, olhava pela janela de novo, para ver se ele havia chegado. As àrvores, os pássaros, tudo parecia mais bonito, vistos da minha janela. E ele, nada.

Pela sexta vez, me sentara na cama novamente. Meu coração palpitava. Ouvi, baixinho, um ronco de um motor. Era a única coisa que eu conseguia (e queria) ouvir. Uma moto.

Voltei correndo para a janela, e lá ele estava. Não podia me conter, de tanta felicidade! Ele sorria pra mim, cúmplice, ao mesmo tempo que também mostrava nervosismo. Eu corri para dentro do quarto, peguei a mochila e joguei pela janela. Logo depois, saltei.

Montei, atrás dele, naquela moto preta, relusente, e o abracei forte. Sua jaqueta de couro esquentava, de forma especial, meu peito. Ele alisou com uma das mãos a minha que o estava apertando.

Ele deu a partida, eu sentia o coração dele pulsar nas minhas mãos. Ele também sentia o meu, em suas costas. Fomos estrada afora, felizes.Eu, fugindo para ele, e ele, para mim. Fugindo, nós, para nós.

Pauta para o Projeto How Deal

15/07/2010

E só


Tenho a sensação de que o que sai dos meus dedos, da minha cabeça, da minha boca, do meu coração não pertence a mim; pertence a eles próprios, simplesmente.

Vontades que pertencem à próprias vontades, fome que pertence à própria fome. Até a sensação de estar perdida, sem lugar, pertence à ela mesma, de modo a me entregar, de mão beijada, de bandeja, à minha eterna e presente alienação.

Minha vontade de me apaixonar à sexta vista (não à quarta, à terceira, ou à primeira), medo de dar errado, de não fazer, da saudade que mata, da roupa que não serve, da ansiedade, e do desejo de morte temporária. E só.

E o "só" é capaz de me deixar um "nada", de me deixar um "desespero".Empurrar a cama sonho a fora, abraçar o travesseiro de um jeito de fim de semana, amar como se fosse a ultima das semanas, se contentar com a falta de coerência e coesão, não ligar pra ambiguidade, e só. Só.

23/06/2010

Leãozinho


Se não fossem pelos sites de relacionamento e todas essas coisas do século XXI, talvez isso tudo não existisse. Não saberia a cor dos seus olhos, do seu cabelo, ou até mesmo, seus gostos e pensamentos. Eu nunca te vi, mas sua imagem já é (sempre foi, e sempre será) nítida em mim. Não tenho muito o que dizer, mas sei que gosto dos seus abraços de píxels, seu desabafo cibernético, e seu sotaque paulista, que, aliás, eu acho uma graça. Acho que o espaço que você ocupa no meu coração, talvez seja maior, mais intenso e muito mais importante quanto de alguém que está perto de mim.
Nossa amizade movida a energia hidrelétrica convertida em elétrica, cabos, conexões, e a Embratel (eu acho), me deixa muito, mas muito feliz, você não sabe o quanto.
Nunca acreditei nesse tipo de coisa, mas ah, você me fez pensar diferente sobre muitas coisas.
Então, pra terminar a ladainha e esse texto sem gênero definido, quero dizer que eu te amo muito, minha paulista preferida, de sotaque lindo, olhos lindos e um coração enorme.
Saudade do que eu ainda não vivi. O futuro não me interessa, mas espero que faça parte dele.

20/06/2010

Chuva Engarrafada


Iria escrever sobre calorias, minha insanidade e alienação temporária pós-refeição, mas não, não vou fazer isso. Fico muito puta comigo mesma porque isso me incomoda. E eu, ah, eu não faço nada. Me sinto idiota, e, para me punir, fico parada. E nesse ciclo vicioso eu estou, faz tempo.

Enquanto tentava me distrair disso, me transportei para dia 2 de Fevereiro de 2007.
Lembro até a roupa que eu usava. Eram umas duas da tarde. Estava no carro, com meu pai, no banco de trás; no lado do passageiro. Nesse momento, atravessávamos um cruzamento, pleno centro de Belo Horizonte. Era perto do Mercado Central.

Paramos devido ao engarrafamento. Chovia fino, o céu estava aberto, e o sol, fraquinho, me esquentava um pouco, passando pela janela fechada, naquele caos urbano.
Vinha um homem correndo na direção do carro, e, bufando, parou no nosso lado, em cima do passeio. Ele tinha a pele clara. Estava molhado por conta da chuva e jogava o cabelo liso pra trás. Depois apertou os braços contra o corpo, que, devagar, ia esfriando mais. Logo, batia os dentes. Era bonito, confesso.

O trânsito continuava parado, cauteloso, molhado.

O homem, por não conseguir atravessar, continuou ali, do mesmo jeito, por longos segundos.
Logo atrás, correndo dentre os carros, segurando um guarda-chuva transparente, vinha uma mulher. Tão bonita quanto o homem. Também tinha a pele clara, e os cabelos lisos e escuros. Eu achei até interessante o jeito com o qual ela corria, esvoaçando os cabelos, e molhando a barra da calça.
Parou, do lado do homem.
Ele não a percebeu. Era mais baixa que ele, tinha que olhar pra cima pra vê-lo.

Devagar, chegou perto dele, e colocou o guarda-chuva de um jeito que também o cobria. Ele, por um momento, se assustou. Passou o braço molhado em volta dos ombros dela, para os dois ficarem debaixo do guarda-chuva. Eu não podia ouví-los, mas sei que nada disseram. Apenas sorriam, cúmplices.
O trânsito aliviou um pouco.
Meu pai, arrancou com o carro.
E eu, nunca mais esqueci.

18/06/2010

Testamento Equivocado


Quero concentrar toda a minha saudade em você; tudo o que eu sinto e não tem denominação, toda a minha confiança e atenção. Te dar tudo o que eu tenho agora, que é a vontade de experimentar algo novo, que é querer pertencer a alguém de forma íntegra, pelo menos com um pouco de sentimento; sendo feliz, e só.
Divido com você, tudo o que sinto, tudo o que tenho.

14/06/2010

Sobre Ladrilhos e Ônibus

Amanhã de manhã eu quero acordar às 6 da manhã, me olhar no meu espelho grande do banheiro, vestir meu uniforme azul-marinho, colocar minha mochila laranja nas costas, e sair porta afora.; exatamente às 6:30.
Quando abrir o portão, a primeira coisa que eu quero ver é meu poste ainda acesco, no meu passeio, fazendo par com a minha castanheira pouco frondosa pelo outono. Meu passeio. Quantas vezes eu não me sentei ali. Quantas vezes não tomei chuva, não chorei, não amei... ali.
Descer a rua calçada com pedras grandes, devagar, por mais que estivesse atrasada; curtindo cada centrímetro da rua que um dia eu quis ladrilhar.
Quero, passar no portão da sua casa, e pensar: "Mais tarde eu passo aqui.". Atravessar a passarela do metrô, observando as grades amarelas, deixando que as lembranças tomem conta de mim.
Cerrar os olhos pra conseguir ver as horas na torre do relógio, jogar os cabelos para trás.
Esperar, subir e curtir o ônibus. É, o ônibus. Olhar, da janela suja, a vida alheia, que se repetia, dia após dia, certeira. E eu amo ver aquilo. O cara da moto, o semáforo, o cobrador, o motorista. A televisão ligada na Globo dentro da lanchonete.
Descer do ônibus, respirar a poluição do centro da cidade, passar na frente da igreja; ver um aglomerado de pessoas com a mesma roupa que eu.
Beijar, abraçar, "Bom Dia!".
Como eu quero chorar. Chorar, só por lembrar. Lembrar de quem estaria ali. Quem eu quero ver, quem eu quero sentir. Que raiva que me dá de saber onde eu quero estar, e não poder!
Me sinto idiota. Nove e meia da noite sete-lagoana. Amanhã de manhã, farei tudo o que não quero fazer.
Só hoje, por favor, me deixa voltar pra lá?
E que diabos é você que me impede de estar?
Quero você, calçada. Quero você, poste. Quero você, castanheira. Quero você, espelho; e tudo o que viria em vossa consequência.
Pelo menos, agora. Só hoje.
Só pra parar de doer.

13/06/2010

Remember, November

Estávamos sentados na varanda. O clima não era muito bom, nada nem perto do sentimento que geralmente tinhamos:
- Roberto, nós estamos brigando muito.
- Você que implica muito comigo, Ceres.
- Roberto, você me proibe de ver o Sérgio, implica com tudo o que eu faço, eu sou eu quem implica com você? Me poupe! Alguma vez eu te proibi de fazer alguma coisa? - minha voz se alterou, e ele permaneceu calado; seu semblante pesado.- Sabe, Beto -respirei-, eu acho melhor se nós dessemos um tempo... talvez seja melhor pra gente pensar, não? Faltam menos de um mês pra mim me mudar pra cá, o que você acha? -eu disse, como se fosse um pedido pra uma viagem.
- Ceres, não gosto de meio-termo. Não gosto.-sua voz era ríspida.- Ou a gente continua assim, ou termina.
- Roberto, por favor... eu gosto tanto de você! Vamos fazer isso? -eu já implorava.
- Ceres... -a voz dele me assustava.
- Então, tá -eu disse, perdendo o tom-, vamos terminar.
Ele tirou a minha pulseira que ele levava no pulso, colocou no chão, perto de onde eu estava sentada, de frente pra ele.
- É, falou, zé... vamos terminar.
Ele levantou, e saiu pelo portão afora.

"Zé? Falou, zé?" Aquilo não enfiava na minha cabeça de forma alguma.
Uma lágrima, solitária, devagar, rolou pelo meu rosto, exatamente no lado direito. Nossa, que simples. Nós havíamos terminado. Não me permiti chorar, nem gritar, como era o que eu queria. Ele não merecia que eu sofresse. Como assim, eu que implicava? Era ele que tinha mansagens de meninas no celular, do tipo "Me busca na porta da escola, amor?" ! E era eu que implicava? Eu não podia ter amigos, eu não podia ver o Sérgio, eu não podia contar piada... e por quê? Só porque eu morava em outra cidade? Por que ele não confiava em mim? Eu confiava nele!
Era um mês de novembro. O tempo estava fechado. Não chovia, fazia calor.
Ele saiu pelo meu portão nitidamente irritado comigo; e eu não queria fazer nada.
Os três meses que se passaram foram comigo o amando. Ou, pelo menos, mentindo pra mim mesma. Passávamos os sábados e domingos no sofá da sala, tomando sorvete, se abraçando.
Aquela foi a unica vez que eu chamei algum garoto de "namorado". Aquelas foram as minhas unicas lembranças. E essa, de ele saindo pelo portão, foi a última.

Ontem foi dia dos namorados. Se ainda estivéssemos namorando, estaríamos fazendo quase um ano.
E eu o vi. Na rua, naquele frio descarado, eu estava de mãos dadas com outra pessoa. A pessoa em quem quero apostar "minhas fichinhas". Para um recomeço, uma tentativa, sempre cái bem. Eu não me incomodo com o Roberto, agora. Para um recomeço, uma (ou algumas) lembranças, sempre caem bem. Eu não me incomodo com essa situação, agora.

Rolei na cama a noite inteira. Quando dormi, sonhei com o dono das minhas fichinhas.
Enquanto eu o esperava, o frio da minha barriga combinava com a noite e com a situação inteira.
Depois, tudo combinava.
Essa é uma das situações em que eu preciso de instabilidade. Agora é uma boa hora pra não saber o que vai acontecer, só pro frio da minha barriga combinar com todo o resto.

Em novembro, essas coisas já vão ser lembranças. E o que aconteceu novembro do ano passado, também.
Em novembro já não vai ser mais recomeço. Essa é a unica certeza que eu tenho.
Te espero, novembro, te espero.
Vejo que não demora.

Vem resto da minha vida. Vem pro resto ser lembrança. Vem pro resto não ser mais recomeço. Vem.

04/06/2010

i'm a gunner ♥


Você não deveria ter envelhecido, caro Axl, eu ainda queria ver sua tatuagem da segunda arte do CD Appetite for Destruction intacta e visível no seu antebraço direito, sempre acima do seu relógio, com você eu queria ter uma chance, com você eu queria morar. Nós ficaríamos na porta de casa, você cantando Sweet Child O' Mine, Patience, Don't Cry, Estranged pra mim ... Eu faria desenhos de golfinhos pra você, não faria escova pro meu cabelo ficar meio desvairado ... Pena que você já tem 46 anos, e eu, coitada de mim, e eu, 15. Agora você tá velho, barrigudo, barbudo, e com trancinhas afro. Ôh cara, bandana e cabelo ruivo sem pentear é mais sexy, acredite em mim. Eu ainda vou ter um converse vermelho e branco com seu nome atrás. Um dia saberá da minha existência, quem sabe, talvez, um dia me ame. Na verdade, deveríamos morar na terra do nunca. Um ídolo dos anos 80, pra viver comigo, para sempre. Talvez seja isso que falta pra mim. Com você, viveria o irreal. Tomaríamos chuva num mês de novembro, nos amaríamos...
Com você, só posso sonhar. Pena que o tempo passa, pena que as coisas mudam.
Filho da puta do tempo, que fez com que nós nos desencontremos.

Pauta para o projeto How Deal

30/05/2010

Hey, Moon !

Estou sentindo uma necessidade enorme de falar tudo o que eu penso e sinto agora, porque, daqui dois minutos talvez eu não sinta mais nada.
Olhando a Lua daqui, da cadeira do computador (que, por um acaso, foi onde eu passei quase metade do dia), vieram ao meu encontro milhões, milhões e milhões de coisas que incluem lembranças, pensamentos e sentimentos. Resumindo: certo grau de alienação temporária. Temporária porque eu sei que daqui a pouco passa.
Primeiro resolvi falar pra Camila que a Lua estava bonita. Ver a Lua sempre me anima, me deixa feliz, me dá uma vontade enorme de não fazer nada, só de ficar olhando pra ela, sorrindo, num transe, quase isso.
Pelo visto, com ela não resolveu. Nada tem resolvido com ela ultimamente. Mesmo que eu só tenha falado com ela pela internet, eu fico mesmo, preocupada. Sinceramente, preferia que eu tivesse feito alguma coisa com ela. Talvez, assim, eu conseguisse resolver alguma coisa.
Se a Lua não entregou (nem) um sorrisinho pra ela...
Camila, olha, vou ter que repetir algo que eu já disse: Tenho a vontade de te ninar, igual um neném; um neném de cabelo colorido. Camila, eu queria te ver sorrir. Queria ter o poder de fazer isso.
Tá, -enxuga as lágrimas- em segundo, o que a Lua me trás é a vaga lembrança da rua Natérica, na altura do número 90, chovendo, com certa companhia, que, por sua vez, está de greve. Está de greve no sentido de ser uma pessoa na qual eu evito que seja um assunto, porque isso me priva de viver.
Terceiro: no meu aniversário de 4 anos, dia 7 de Janeiro de 1999, a Lua estava cheia, como hoje. Vi isso num calendário dia desses.
Em quarto, na minha opinião, é a parte mais legal. Não é lembrança, não é vontade, é sonho. Sonho de gente boba (e acordada): eu, numa praia. De noite. Podia ser de dia, a Lua, quando está cheia, sempre aparece de dia. Então: noite, Lua. Não, noite não, pôr do sol (ou subida da terra, se preferir). Aquele marzão, aquela maresia, aquela areia no cabelo, aquele cabelo horrível. Bom. Uma fogueira. Grande, quase na orla. Estrelinhas, é, estrelinhas, piscando, piscando, lá em cima, bonitinhas, pequenininhas, estrelinhas. (ficou parecendo poesia de menino de pré).
Tá, agora, você, caro leitor, deve estar se perguntando: Com quem?
Olha, como meu Cabeludo Imaginário ainda não tem rosto, podemos dizer que eu estaria sozinha.
Digo isso porque depois talvez (com certeza) eu mude de ideia. Mas ah, eu não gosto de ficar pensando nesse tipo de coisa, essa coisa de companhia na praia, aquela coisa romântica. Me deixa triste.
Ou, ninguém tem um primo cabeludo pra me apresentar não ?
Cabeludo bonito.

28/05/2010

Cabeludo Imaginário

Em falar em instabilidade... eu já disse que nunca quero me casar? E também que em hipótese alguma eu não terei filhos? Nem MEIO filho? 

Pois é... isso foi até outro dia. Hoje mesmo, enquanto eu estava com a bunda suada na cadeira do salão, com o secador quente na cabeça; a Flávia (a queimadora de couro cabeludo) falava toda orgulhosa da filhinha dela, que nem dois meses tem, a Melissa. E eu: "Nossa, não tenho filho antes dos trinta nem a pau." - esse povo tá pegando o boi, porque eu falava que não ia ter era nunca!
E ela: "Que isso, Celes (é, Celes). Eu também falava isso. Agora, olha eu e a Melissa."
"É, Flávia. Filho é bom, mas dura muito." (li isso no livro do Mário Prata hoje de manhã).

Enfim, o que eu quero dizer com tudo isso é que em relação à relacionamentos duradouros, vestidos, noivo, buffet (huum), e tudo mais, eu tenho pensado (muito) diferente.
Eu ainda não consigo me imaginar barriguda, com um neném com cara de joelho no colo, achando a coisa mais linda do mundo. Mas já consigo imaginar como seria meu vestido de noiva. Vai combinar muito bem com a tatuagem que eu pretendo fazer depois dos 18 e os meus (futuros) piercings. E acredita que eu também consigo idealizar um noivo? 

Tá, de qualquer maneira, casar é uma coisa muito definitiva. Vou deixar pra mudar de ideia sobre isso depois, nada de ficar enxendo (mais) a cabeça com isso agora. 
Quem sabe até, ter um namorado a longo (looooongo) prazo, tipo uns 7, 8, 9 anos de namoro, cabeludo, roqueiro, tatuado e que tenha uma voz bonita. Nós podíamos morar num apertamento (lê-se apartamento) no centro, todo bonitinho, e teremos um cachorro também. Teremos brigas diárias, só pra depois ficar falando "Desculpa, a culpa foi minha!" se abraçar e se amar no sofá da sala. Com o cachorro olhando, e morrendo de carência. (Tá, essa foi ridícula). 

Depois, se meus pais reclamarem por ausência de compromisso e presença de vagabundagem da nossa parte, poderíamos nos "casar": Cachorro em pé na sala, só pra ter testemunha, que por conicidência é a mesma sala que sempre faríamos as "pazes". Mas né, ninguém precisa saber disso. Eu de moletom e camisa de banda, ele de cueca samba canção. Sem padre. Nós engalobamos um texto pra ficar menos informal. Beijinho, beijinho. Pronto, estamos casados. Tomamos café. Pronto de novo, minha felicidade está completa.

Nossa, que emoção imaginar isso. Tá bom que na sala também poderia estar pai, mãe, sogro, sogra, amigos, agregados e tudo mais, mas como eu disse, é apertamento, não vai caber. E além do mais, só o cachorro ia ficar muito bom, eu acho. Ou não, sei lá. Só sei que eu e meu cabeludo imaginário não nos casaríamos formalmente. 

Ainda, meu cabeludo, não consigo imaginar nossos filhos. Mesmo porque, você ainda não tem um rosto definido. Mas mesmo assim, onde você estiver agora, com quem estiver e todas essas coisas, espero que nossos sonhos sejam compatíveis. Ou se não forem, espero também, que depois de uma discussão (e uma conclusão) tenha uma sala (e um cachorro) disponível. Também espero, com todas as minhas forças que você exista mesmo. 
Talvez eu até queira me casar. E quem sabe, me encher de filhos. É, mudei de ideia.

26/05/2010

Instabilidade

Acho que crônica é uma coisa bonita. Rápida, informal, objetiva, e às vezes dá um tesão danado escrever. Primeiro que você não precisa de ficar se preocupando com esquema de rimas, medida velha, medida nova, e todas essas coisas. Contando que você pense e saiba escrever, já é mais da metade do caminho andado. Não que hoje em dia as pessoas (eu) se preocupem com esse tipo de coisa, mas é sempre bom lembrar o quão é difícil escrever uma poesia, um artigo de opinião, ao até mesmo uma carta. E, não, não tenho um segundo motivo concreto.
Então, eu estava, agora, deitada na minha cama, lendo um livro. Um livro de crônicas, do Mário Prata; que é da biblioteca da escola, mas está comigo faz umas três semanas, mas isso não vem ao caso.
De início, quando eu li o "Crônicas" e o "Prata" na capa do livro admito que pensei: Nossa, deve ser parente da Liliane Prata.
Mas enquanto eu fui lendo, e descobri o verbo "sulfechar", eu me distraí o bastante pra não pensar muito nisso. Até que, de repente, procurando alguma crônica naquele livrão -foi o que disseram quando viram ele na minha carteira-, achei um com o título fofo, até: Beijando com Carinho. (Se não for isso me desculpe, porque nesse livrão todo não consegui achar a crônica de novo).
Bom, larguei minha Capricho aberta em cima da cama pra ler a crônica dos beijos, parecia mais interessante.
A primeira coisa que eu achei estranha foi ele estar citando a Capricho, e que a capa era a Yasmin Brunnet, que, na época, tinha 14 anos e, depois ele falou que hoje (lê-se 2003), o filho dele, Antônio (consequentemente, Prata), "ocupava" a última página. Antônio Prata, pai da Liliane Prata. Logo o Mário Prata é avô da Liliane prata, concluindo, eles são sim, parentes.
Porra, que lindo. Três gerações de cronistas. Será que quando eles preenchem alguma ficha pra alguma coisa eles colocam no lugarzinho da profissão "cronista"?
Será que, se um dia, eu for cronista, num outro dia, se eu tiver filhos eles também vão ser cronistas?
Essa espectativa toda é um delícia. Ainda mais quando você, na aula de Português interpreta uma crônica do Jô Soares, ou tem que ler uma do Fernando Sabino. Ah, que tesão!
É tão bom ser obrigada a fazer uma coisa que você sempre fez.
Fica melhor ainda quando você quer fazer isso o resto da vida!
Fica sensacional quando você só tem 15 anos, é egocentrista, e adora falar de você, da sua vida, dos seus amigos.
Fica sensacionalíssmo quando as pessoas gostam de ler o que você escreve.
Não sei se você que está lendo quer fazer tanto uma coisa quanto eu quero fazer isso. Como diz minha mãe, sou sonhadora demais, muito instável em relação às coisas que eu quero, e eu só me sinto bem escrevendo sobre meu mundinho egocentrista, egoísta, e todas essas coisas. Meu pai concordou, ele que completou dizendo "egocentrista" e "egoísta" de mim e do meu mundinho. Horrível.
Como eu ia dizendo, se você quer fazer muito uma coisa, tomara que amanhã você ainda queira fazer. Além do mais, estalbilidade é uma coisa muito bonita, coisa que geralmente eu não tenho. Ultimamente, venho andando tão instável, que, sexta feira eu amava o Samuel, mas hoje, quarta, que aliás, é nossa quarta quarta feira juntos, eu nem dei bom dia pra ele, e ele deve estar querendo me capotar numa hora dessas. E enquanto sexta eu me preocupava muito com isso, hoje, eu nem ligo. Olha que faz muito pouco tempo.
Me sinto idiota por isso, mas, com certeza, muito menos idiota do que ele (hoje).
Hoje estou preferindo exercer meu egocentrismo, meu egoísto, e manter meus pezinhos bem longe do chão. Além do mais, são só quatro quarta feiras. Muito menos que 15 anos, muito menos do quanto eu vou viver, nem é tão importante pra mim (hoje).
Mesmo que amanhã eu ame o Samuel pra sempre, queira fugir pra ver o Luís ou até mesmo com o Sérgio, espero querer escrever sobre isso.
E cá pra nós, instabilidade combina muito bem com esse tipo de coisa. Coisa, essa coisa de escrever.
Ou não, sei lá.
Talvez amanhã eu mude de ideia. Daqui dois anos, quem sabe.
E a crônica dois beijos é bem legal.

25/05/2010

Lisonjeamento Ceriano

Olha, preciso de dizer que estou com um problema sério com responsabilidades, hábitos e, principalmente, com complexos.
Fazia mais de uma semana que eu não aparecia por aqui, e queria pedir desculpa à vocês.
Mas de qualquer forma, tenho um belo motivo pra postar aqui no blog. Não que a minha Conspiração Vital não seja mais, é que estou com uma dificuldade enorme em tranformar as coisas que eu venho sentindo ultimamente em palavras.
Primeiro, eu quero agradecer à Mona (posso te chamar assim?) do blog A Hora da Estrela, que é um blog lindo, com textos lindos, e a dona dele é super, mas super simpática.
E também à Bia, do blog Biacentrismo, que voltou à ativa faz pouco tempo, mas eu e a Bia já somos amigas à muito tempo - quase um ano!-, tudo em virtude do Conspiração Vital.
Agradecer pelos selinhos lindos que elas deixaram pra mim. Nunca liguei muito pra esse tipo de coisa, mas eu tenho que me acostumar. Sinceramente, estou lisonjeada.
Esses primeiros, quem me deu foi a linda da Bia:
O que é mágico para você ?
Mágico pra mim é estar com meus amigos e com a minha família, enfim, com quem eu amo. É simplesmente maravilhoso poder dividir com eles o que eu sinto, o que eu penso, e também ouví-los. Para mim, não tem nada mais mágico que um almoço de domingo, um abraço cheio de saudade depois de 5 meses em Sete Lagoas, um beijo debaixo de chuva, rir da cara do meu exnamorado, do Samuel, querer muito odiar o Sérgio, tentar tocar violão.
Não, calma, isso tá errado.
Mágico pra mim é viver.    (tosco, oi.)


O que te faz sorrir ?

Depois de tudo o que é mágico pra mim, o que me faz sorrir, é Lua cheia, café, cabelo com brilho, All Star novo, a voz do Samuel, conversar com a Rúbia, com o Ramon e os meus outros amigos Sete Lagoanos, ir pra Lagoa, olhar nuvens e ganhar selinhos, we. HAHA









1- Qual foi a maior bobagem que você já fez ?

Não sou muito boa com arrependimento. Posso ter feito alguma bobagem, mas tomei tudo como apredizado. Logo, não foram bobagens. entendeu?

2- O que os outros consideram bobagem e você não?

Ainda acho a parte de "bobagem" relativo. Por mais que eu ache algo "banal" para as outras pessoas talvez seja importante,;sempre tem alguém com quem você pode compartilhar esses gostos, e é isso mesmo que une as pessoas. Agora não consigo pensar em algo que eu goste sozinha, que eu ame sozinha, e que ninguém mais goste ou ame, que ache bobeira.

E esse, quem me deu foi a Mona.

Como que pelo blog da Bia eu teria que escolher 6, e pelo da Mona, 10 blogs, eu vou colocar 10.
E os blogs são:
Bom, 8 serve?
Enfim, pretendo postar algo mais útil amanhã. Obrigada, gente.

16/05/2010

Ceres Sete-Lagoana

-Oi, quero te conhecer. - diz o cara, e pega na minha mão – Qual é o seu nome, morena?
- Ceres. (sim, eu sei que ele não entendeu.)
Ele chega perto, e me dá um beijo na bochecha. Sinceramente, eu não ia perguntar o nome dele, porque eu não fazia questão. E ele, se estivesse tão preocupado em saber meu nome, ele tinha perguntado de novo; porque não, ninguém NUNCA entende de primeira. Por isso que agora até eu mesma me denomino “morena”.
E então, ele me dá outro beijo na bochecha. E na outra. E na outra de novo.
Até que eu virei de costas e saí andando.

Puta merda, mas que saco.
Aquele era o nº 18, eu acho. O décimo oitavo garoto que mexia comigo na mesma festa, o décimo oitavo que eu não me interessara.

- Ceres, aquele ali, de camisa azul, ele quer fazer parceria.
Parceria ? Que diabos eu estou fazendo aqui, pelo amor de Deus!

E eu ia, andava, levantava um pouquinho a perna, por causa do salto, ria um pouquinho, e até me deu vontade de dançar. Forró, sertanejo.
Afinal de contas, eu precisava me enturmar.

- Não, Ingrid, não, sem essa de parceria, que isso.
Ingrid sái, e vai falar com o dito cujo, que deve ter sido o décimo, por aí.
- Ceres, ele te chamou de playboyzinha, que ele nem sabe o que você está fazendo aqui, maior metida. Feia pra caralho.

Pois é, Ceres. Playboyzinha. Playboyzinha.
Essa é nova. E eu sou tão feia que ele queria me beijar. Bom. Isso quer dizer que os garotos daqui (34, pra ser mais exata), preferem as morenas, metidas, feias e playboyzinhas.

- Que foi, Roberto?
- Cé, lembra aquela calça apertada que eu tinha?
- Lembro, Roberto.
- Então, eu vou na festa hoje com uma mais apertada que aquela. Você vai?
- Ah, não sei, se o Léo for...
- Tá bom, chama ele então pra vocês irem.
- Beleza, Roberto.

Bom, eu fui à festa por conta do Roberto. Por conta no sentido de ele ter me chamado. Ele me vigiou a festa inteira, pelo o que eu sei não ficou com nenhuma garota. Vai ver que é porque toda vez que ele ia conversar com uma, ele tinha que ficar vigiando pra ver se eu estava olhando, e morrendo de ciúmes. Coisa que eu não fiz.

Número 30, 31, 32...
- Não.
- Neeem, fala pro seu amigo que eu to muito ocupada coçando meu pé agora.
- Eu sou seu sonho, é? Então vá dormir!

Por que, cara, por quê?
Por que nenhum daqueles 34 garotos eram o que eu quero?
Por que toda vez eu tinha que contar até 10 e falar “Samuel, Samuel!” em voz alta ?
Por que eu me obrigo a ser tão idiota?
Por que que ser sete-lagoana é tão, mas tão difícil?

Só porque eu sempre fui apaixonada pelo Sérgio?
Só porque eu estou ficando com o Samuel?
Só porque agora eu moro em Sete Lagoas?

É tão difícil entender que isso tudo não é culpa minha?
Então porque que a pior parte fica pra mim?
De que adiantava 34 se eu só quero um?

Não, eu ainda não consegui trocar de pizza preferida.

Sou uma garota sete-lagoana e frustrada.
Sou uma morena dos sonhos do nº 26.
Sou uma apreciadora de pizzas belo-horizontinas.
Sou uma idiota.

É difícil esconder desespero, desculpa.

12/05/2010

Analogia da Pizza


Pensar em tanta coisa ao mesmo tempo é normal? Se for normal, por favor, me perdoe por estar enlouquecendo.

Preciso lembrar que acho que estou começando a querer me esforçar para fazer alguma coisa. Primeiro porque não fazer exatamente nada interfere na produção de colágeno, e não, não quero que a gravidade não fique ao meu favor, mesmo porque, eu só tenho 15 anos.

Segundo, é que eu acho de suma importância que eu – pelo menos, eu - seja feliz. É. Feliz. E, por mais que eu já tenha passado (gasto, jogado, ou qualquer outro verbo desse gênero) dois anos da minha vida me “doando” por uma mesma e nada justa causa, acho que agora é hora de dar um basta nisso.
Não, eu não disse que seria fácil, muito menos rápido.

Isso tudo consiste numa técnica, ou, se preferir, em pura sorte. E toda sorte só existe de braços dados com o esforço. É como se fossem um casal: um não existe sem o outro. Contudo, podemos concluir triunfalmente que sim, eu (e todos que quiserem um conselho, mesmo que seja meu) precisamos de um esforço. Queremos sorte, certo?

Então, teremos que nos esforçar. Eu tenho que me esforçar. E é exatamente isso que eu vou fazer.
Posso começar me apaixonando perdidamente pelo Samuel. Esse pode ser meu segundo objetivo, porque o primeiro, claro é não olhar tantas fotos do Sérgio. Aliás, eu observei uma coisa em comum com garotos belo-horizontinos envolvidos de forma amorosa comigo. E todos praticamente têm a mesma história que, se entrelaçam. Isso é outra coisa que vem me levando vagarosamente pelo precipício da loucura.

Enfim, essa tal coisa que eu observei foi a seguinte: eu Ceres, me apaixono. Eles, garotos ajudam e praticamente me obrigam a fazer isso (não vou citar nomes, mesmo porque, não precisa). Preciso frisar que é impressionante o poder deles de fazer isso comigo. Ou gostam de Coldplay, ou têm pernas, queixos, cabelos e palavras espetaculares. E claro, com muito sensacionalismo e exagero. Depois de um certo tempo; que pode ser denominado dia ou, no máximo, semana, eles simplesmente somem. Me deixam, ao léu, sozinha, triste, abandonada e chorosa.

E assim eles faziam: alternando. Primeiro um, e quando o outro reparava que eu estava prestes a contar pra minha mãe que eu estava apaixonada, ele combinava com o segundo. Aí o primeiro sumia, eu chorava, o segundo aparecia, e assim ia. Sim, eu me apaixonava fácil, e muito rápido.Esse é o “apaixonar entre aspas”, fogo de palha, coisa de gente boba, que,aliás, é um delícia.

Tipo, primeiro eu só gostava de mussarela e calabresa, ai depois que eu comecei a apreciar à moda, à portuguesa e às vezes catupiry, essa coisa de dor de coração diminuiu. Agora que eu estou retratando o meu sofrer super esforçado, cheguei à conclusão de que talvez esses mineiros maldosos tenham um complô contra mim, mas eu nem ligo.Depois que eu vim pra cá, comecei a me interessar por outros sabores, sabe? E às vezes mussarela e calabresa ainda vêm com a frase: “Ceres, desculpa, eu fui um burro, joguei muito tempo fora em relação à você.” Aí eu digo: ”Pois é, (nome do sabor correspondente), eu, agora, não posso fazer muita coisa. Se você fosse menos burro, agora nós podíamos estar fazendo 1 (ou dois) anos de namoro.”(Lembrando que a duração do namoro hipotético corresponde ao sabor).

Sabe o que eu faço depois? Invento um outro sabor pra gostar. Por mais que seja difícil trocar de sabor preferido, assim, na hora que quer, é até bem divertido. Já disse que eu adoro analogias? E pizza também, claro.


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