26/04/2010

Feliz Ceres Velha

- Toma, Ceres.
- Obrigada, Ramon. - eu disse, quando ele pôs o bendito livro na minha mão.

Finalmente eu iria passar da página 53, e minha curiosidade de saber o que ia acontecer (o que aconteceu e todos os outros verbos) com o Marcelo (Rubens  Paiva)  ia ser saciada. Juro que até só agora eu entendi a minha tara por querer tanto ler esse livro.
À uns 3 anos atrás, a Karine, uma menina que pegava ônibus comigo e estudava na mesma escola que eu me disse que "Feliz Ano Velho" era um livro absurdo, e que o cara dele é um filho da puta, que só falava de seios e bocas alheias.
Karine, sua mentirosa!
Eu tenho total consciência de que o Marcelo nunca vai ler o que eu escrevo. Afinal de contas, além de pé no chão eu sou até bem pessimista, pelo menos às vezes. Mas eu fico feliz por você ter conseguido se sentar, andar de cadeira de rodas, ido no cinema e, puta merda! Como como o jeito que você descreve as coisas me fascina!
Agora, eu já passei da página 180. Tudo hoje. Eu simplesmente não consigo parar de ler. Depois de horas que todo mundo aqui estava pensando que eu estava domindo enquanto eu lia freneticamente, minha vista está supercansada. E sim, a possibilidade de eu sonhar que eu estava ouvindo o Bamba, num gramado enorme que provevelmente seria da USP é enorme.
Esse tipo de coisa toma conta de mim fácil. Aconteceu a mesma coisa com Crepúsculo, Lua Nova e afins; mas quando você sabe que que aquilo aconteceu de verdade com gente de verdade o efeito de êxtase é bem mais avassalador e selvagem.
Como eu sou arcaica! Me identifico com um jovem louco da década de 80, e meu sonho é conhecer uma pessoa assim que, de preferência esteja ao meu alcance. Não sei se é pedir muito, mas a minha vontade de crescer, ter uma visão política (não pelo fato de ter vivido certa repressão governamental, e sim por ser isso uma coisa que me é considerada útil), conseguir se apaixonar por coisas mínimas e torná-las vitais é enorme. Concluindo a ladainha toda, esse é meu objetivo.
Esses hormônios, essa coisa ridícula que dificulta ainda mais minha (nossa) passagem pelo pântano lamacento (?) que é a adolescência estão me deixando uma pessoa (muito) cismada, pensativa, irritadinha, (principalmente) chorona e desconformada. Não me sinto normal.
Ultimamente tenho A-DO-RA-DO falar muito palavrão, filosofar (apesar de as aulas de filosofia serem, em sua maioria, chatas), pensar em coisas chulas (tipo pornografia e coisas do gênero) e isso tá me deixando louca e, ao mesmo tempo, fascinada. Nem imaginava que essas coisas existiam.
Outra vontade que eu tenho é falar exatamente o que eu penso. A sensação de conseguir fazer isso seria praticamente a mesma de sair correndo na avenida Paulista na contra-mão (não sei a merda da reforma ortográfica não, porra!), e ainda por cima pelada. Parece que tem um elefante na minhas costas, e com ele eu não consigo realizar movimento, muito menos trabalho. (Prestei atenção na aula de Física. Beijo Afonso!)
Fico o dia inteiro pensando no meu cabelo que ERA tão lindo, no meu projeto-de-namoro-que-eu-sempre-sonhei que durou exatamente uma semana e um dia, na minha abstinência por um (dois ou mais) contato(s) físico(s) com o sexo oposto, nas lagoas, na empada, na minha coxa, na luz que eu meu pai acendeu, na minha bunda!
Nunca, nunca mais vou julgar as pessoas porque elas são cismadas, falam da mesma coisa (ou pessoa) o tempo todo, porque veem Isa tkm, tk+, seja lá o que for, usam calcinha (ou cueca) pequena, gostam de livros de amor super melancólicos ou, então, são indiferentes a mim.
Primeiro que tudo isso eu já fiz, faço, ou farei, Um exemplo é usar calcinhas pequenas. E fodas, eu falo "nunca", mesmo correndo o risco de não fazer de novo. 
Nesse caso, o verbo é "julgar". O que conta aqui é o pronome que vem antes. Não pode ser "eu".
Aliás, essa coisa de prometer e não cumprir às vezes é muito, mas muito convidativa pra mim, mas isso, de verdade, eu não gosto de fazer.
Camilla, eu ia escrever sobre sua beleza mineira, magra e sedutora e esconderijos idiotas, frágeis e não-óbvios que a felicidade usa, mas não, não me senti apta pra isso.
Bela, Gabi, Paulinha, Lika, Fernanda e Giovanna: vocês são as melhores amigas belohorizontinas do mundo, sério!
Marcelo, já já vou ir ler o que aconteceu depois que você terminou com a Marina, esperaê.

Um comentário:

  1. E você nem escreve bem né ,ceres bifano ? Obrigada por lembrar de mim , gata ♥

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