28/04/2010

Morena

Passei a aula inteira preocupada com o que eu ia fazer em relação ao bilhete que eu recebi ontem. Singelo, talvez. Era do tal do namoradinho setelagoano de mentira, querendo que fosse de verdade. "Fala com a Ceres que a brincadeira acabou, que eu to gostando dela de verdade, e que quero ficar com ela." 
Tudo isso numa caligrafia supertremida, parecendo que de nervosismo, de tão forte que tava. Não sei se esse é o jeito de ele escrever. Vou olhar o caderno dele depois pra ter certeza.
Até que existiram duas situações um tanto quanto... estranhas.
Primeiro foi depois do recreio, antes da vídeoaula engraçada de Literatura. Cheguei, como quem não quer nada, como eu sempre fazia, e abracei ele.
Ele retribuiu.
Olha, vou ser sincera. Super sincera, na verdade. 
Sei lá sei ele só retribuiu, ou, não sei explicar direito. 
Só sei que eu senti um puto de um friozinho na barriga. Tá, foi um friozão. E também meu coração desparou.
Tudo isso deve ter durado uns dois segundos, porque quando eu reparei que tava ficando nervosa, acho que saí correndo. Acho porque eu fiquei meio estranha mesmo.
Por segundo, na hora da saída, eu fui toda felizinha pro lado da Millaine (minha outra amiguinha legal e setelagoana), e ela veio toda folgosa me perguntar se tinha acontecido alguma coisa. E quando eu falei que não, ela fechou a cara.
Em falar em Millaine, ela é muito gente boa, e estuda numa escola do lado da minha, o Dom Silvério. A gente pega o mesmo escolar, e como ela mesma disse: "Nós só não somos melhores amigas porque a gente se conhece a muito pouco tempo."
Enfim, enquanto ela ia me xingando porque não tinha rolado nem um beijinho depois do bilhete (e da carta) que ele tinha me mandado, a gente dá de cara com ele.
Peguei na mão dele, como eu sempre fazia, e quando eu fui dar um beijo no rosto dele; no meio do caminho, não sei se virava uns centímetrozinhos pra esquerda e lascava um beijo na boca dele de uma vez. No desespero, na falta de tempo, e no calor do momento, o beijo não foi nem no rosto nem na boca.
Tentei sair correndo de vergonha, mas a unica coisa que eu consegui fazer foi olhar pra ele.
Pela cara que ele olhou pra mim, parecia que ele estava era satisfeito. Ah, porra, eu fiquei foi com dor na consiência, mas quando eu reparei, tava rindo feito uma louca. Fodas, cara, fodas.
Eu PRECISO disso. Fodas, cara, fodas se não der em nada. Fodas se der também. 
Se eu contar que depois do Sérgio eu não beijei ninguém você aí que tá lendo vai rir da minha cara ? 
Fodas se você rir também, fodas.
Samuel, pode me chamar de morena o quanto quiser. Nunca te disse isso, mas eu adoro. Ganha um beijo amanhã se fala com charme! (Fodas se você riu)
Marcelo (Rubens Paiva), meu querido, me apaixonei por você, sério.

Eu gosto muito de falar palavrão.
Cheguei em casa, fui de uniforme e tudo pra cama. Que lindo, adoro roupa larga, meu uniforme tá igual um pijama. Dormi feito um cocô, e acho, não tenho certeza, que sonhei com o Samuel. 
Custei pra levantar e, pra minha surpresa, só dormi uma hora e meia.
Recebi um Cornetto Fellings da Mariana, a menina do chove-chuva, lá de são Paulo, e tô feliz até agora.
E puta merda, Lua, você tá linda tampadinha até os olhos de tanta nuvem.


Um comentário:

  1. ah Ceres tá diferente, tá, tá diferente...
    Juro que parei (:
    Ah Cé, é sempre você que me deseja boa sorte, mas eu já tenho sorte demais agr e vou dar um pouquinho pra você dar certo com o Samuel e ver se tira o Sérgio da cabeça, talvez seja melhor pra você.
    Que bom que você gostou do cartão.
    Mande um beijo pra Lua, e pergunta por que que ela não aparece aqui em São Paulo.

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