10/12/2010

Sete Lagoas Piscando

Eu estava sentada na cama, com as pernas cruzadas, e um alicate de unhas na mãos. Levava um dedo na boca, olhava com muita cautela para ele, para, depois, corta-lhe, de modo desapropriado as cutículas.
Meu coração ia contra todo o raciocínio: palpitava, pulava. Chegava a doer o peito.
Agora, deslizava o pincel sobre as unhas, com esmalte roxo.
- Tá horrível, Rúbia, olha isso. - E esticava as mãos, para poder analisá-las.
- Que isso, Ceres, pára.
Me distrai comendo, tomei um banho cauteloso. Estava atrasada, estava nervosa, estava louca, mas não demonstrava. Sai correndo e amarrando o cadarço do All Star.
Me despedi de Rúbia, subi no ônibus.
Vim sentada sem postura alguma. Desci, correndo, de novo, e olhando, periodicamente, mais exatamente de um em um segundo, as horas no celular.
Parei na esquina. Respirei fundo.
O fato de não vê-lo dali me deixava mais nervosa ainda. Dei mais alguns passos, até que minha respiração voltou ao normal. Eu entrelaçava meus próprios dedos com as duas mãos na frente do corpo.
Eu o vi. Parado, de costas para mim.
Continuei, no mesmo ritmo, a andar em sua direção.
"Será que ele vai me beijar?"
Soltei as mãos devagar.
"Não vira, não vira!"
Projetei as duas mãos, e fui chegando mais perto dele.
De uma vez segurei-o pela cintura, e ele se virou pra mim, assustado.
Primeiro: ele riu.
Nunca, nunca havia reparado o quão seu sorriso é bonito.
Ele me cumprimentou como sempre fazia, me abraçando.
- Como você está?
- Estou bem. - eu disse, apreensiva.
Segundo: ele, com carinho, pegou na minha mão, entrelaçando meus dedos nos dele.
Fazia muito calor. Ele estava com uma blusa de manga comprida com o Kurt Cobain estampado na frente. Eu havia elogiado essa blusa dias atrás.
- Você gosta de boné, Ceres?
- Não mesmo.
Ele riu, passando a mão direita na cabeça sem boné. Eu ri com ele.
- É, eu imaginei isso. - ele disse.
Eu sorri para ele.
"Deus, e ele que não me beija!"
Conversamos por horas. Para mim, foram horas. As mãos suavam, mas eu não largava, e duvido que ele pensasse nessa hipótese.
Paramos. Ele se virou para mim. Num susto, me beijou.
Até hoje, o peço para ver se consegue me beijar daquele jeito de novo.
Ele nunca consegue. A cada dia beijá-lo fica melhor.
Minhas mãos ele não solta. Cada pedaço do corpo dele é meu preferido: a cicatriz perto da boca, os lábios, as mãos, as pernas.
Morro de saudade quando ele vira a esquina. A blusa do Kurt Cobain, agora é minha.
Terceiro: Meu coração, agora é seu, Matheus. E vejo luzes piscando em todo lugar que eu vou, porque você está comigo.

Um comentário:

  1. é impressionante Ceres...
    Alguns sentimentos são descritíveis, mas o que estou sentindo agora, é indescritível...


    Te amo demais minha Flor mulataaaa! (:

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