15/05/2012

O imperador está de volta



Você me encontrou. Após todos estes anos e as nossas caminhadas em direções diferentes e distantes rumo aos nossos respectivos destinos, você finalmente me reencontrou. Você continua o mesmo, embora agora porte uma aura e um histórico muito mais grandiosos. Eu não teria mais coragem de me aproximar de você nestes novos tempos, nestas novas circunstâncias. Mas você o fez por mim.
            
Como se nada tivesse acontecido, você chegou e me cortejou, exatamente como antes. Ainda se lembrava de todas as coisas que eu gosto, assim como eu me lembrava de todos estes nossos segredos que nunca deveriam ter acontecido. Tão errado, tão perigoso! E por isso mesmo tão excitante... viciante.
            
Você ainda se lembrava do quanto a sua mera aproximação sempre fora tão irresistível para mim; do quanto isso sempre me acendia uma chama nos cantos mais profundos e até nos mais ínfimos do meu ser. Chama essa forte e poderosa o suficiente para me calar irrevogavelmente; eu estava sempre quieto quando você estava perto. Uma quietude inquieta, impossível de ser controlada.
            
E em todas as vezes que meus lábios se relutavam a me obedecer, seus olhos me devoravam como um gigantesco leão que, superficialmente envolto por seus parlamentares, subitamente se via de encontro a uma presa perfeita. Vulnerável, aprisionada. E a cada encontro dos nossos olhos, minha garganta muda se incendiava, meu peito ardia em agonia implorando por um salvador. Mas eu, por alguma razão, não conseguia tirar os olhos de você; meu peito havia encontrado o seu grande salvador.
            
Era hipnótico, e talvez por isso mesmo tão insano. Eu nunca me dera conta do quanto tudo isso era arriscado. Não podíamos ser vistos às escondidas, tudo tinha que ser público -- superficialmente público. Era um escândalo grande demais para ser arriscado, uma faca riscando nossa garganta em peças por jogos de poder. Tanto poder, e não poder. Ter o seu poder em minhas mãos, e não poder te ter; ter o seu corpo junto ao meu, e não poder nada mais do que esconder. Estar sempre na palma de suas mãos também, e não poder.
            
E agora você está de volta, para arriscarmos tudo novamente. Para aquelas noites aquecidos e encobertos pelas cobertas, com todos dormindo ao nosso redor; aquelas manhãs sob as águas de uma chuva que eu jamais deveria ter conhecido. Uma água que nunca deveria ter me tocado, um calor que nunca deveria ter perpassado pelo meu corpo. Entretanto, cá está você de volta: de volta para os meus braços, e eu de volta aos seus. De volta ao meu corpo que sempre pertencera a ti, e eu ao teu que sempre pertencera a mim também. Você voltou para o meu conforto, voltou para os segredos do meu peito; e eu voltei para os seus, para o seu carinho, para o seu desejo. Para a sua pele, para o seu cheiro.


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