13/07/2012

Juventude revolucionária: os anos 60 e a Contracultura

( Este post é o segundo de uma série sobre o comportamento juvenil cultural ao longo das décadas; você pode conferir seu antecessor no link da tag Juventude Revolucionária )

Se nos anos 50 tínhamos uma sociedade pós-guerra que não queria outra coisa senão cercar-se de conforto e materialismo, os jovens da década seguinte logo passariam a questionar tal atitude. O rock'n'roll nunca foi tão popular, não apenas com os sucessos do pai do rock Elvis Presley como, principalmente, por conta dos sucessores vindos da terra do chá, os Beatles e os Rolling Stones (obviamente que havia inúmeros outros artistas importantíssimos pro mundo da música e renomados até hoje). O início dos anos 60 foi marcado por uma certa inocência de rebeldia sem causa, mas isso não tardou a mudar.

 



A Guerra Fria (confronto iniciado após a Segunda Guerra Mundial entre os Estados Unidos e a União Soviética, que financiavam guerras ao redor do mundo buscando provar, indiretamente, qual das duas afinal era a mais poderosa) estava acontecendo enquanto uma maioria da população simplesmente fechava os olhos e seguia uma vida de capitalismo fingindo que nada estava acontecendo. Havia, enquanto isso, uma grande pressão da sociedade sobre como deveria ser o comportamento correto geral.


(acho muito curioso o fato de que, analisando as fotos do lado "pop" do anos 60, apesar de o cabelo preferido pelas pessoas não ter mudado muito, as mulheres pareciam preferir cortes que jogassem todo o cabelo para trás enquanto os homens abandonavam os topetes para deixar o cabelo, embora curto, cair razoavelmente sobre o rosto (reparem), o que são coisas um tanto contrastantes ao modelo padrão da década anterior, na minha opinião)


Ocorre então uma explosão cultural juvenil. Eu acredito que, por influência da popularização do rock e de seus bailes, o movimento rockabilly tenha de alguma forma influenciado em toda uma forma dos mais novos pensarem a respeito do que estava acontecendo ao redor deles e, assim, tendo se iniciado naturalmente toda uma série de novos movimentos.


(os beatniks foram pessoas anti-conformistas que se uniram no final dos anos 40 e cujo seu movimento perdurou até o início dos anos 60; acredito que era uma cultura bem underground (principalmente porque não encontrei nenhuma foto deles que aparentasse ser completamente dessa época), mas que entretanto tenha colaborado para a explosão da contracultura. Na ilustração acima e na imagem abaixo há um exemplo do estereótipo beatnik)


(e como você provavelmente já deduziu, nas três imagens abaixo temos alguns hippies)





Mas o fato é que de repente as pessoas se rebelaram contra essa coisa de todos serem obrigados a viver um mesmo exemplo de vida, gerando uma época de grandes mini revoluções, chamada de "contracultura". A contracultura consistia basicamente em fugir do senso comum. As mulheres por exemplo começaram a usar calças jeans, criou-se a minissaia e as pílulas anticonceptivas. Os jovens passaram a ter acesso cada vez mais fácil às drogas e iniciaram-se os movimentos estudantis.





Conhecida sociologicamente como o início da “Geração X”, o fim dos anos 60 foi um período de grande revolução entre os jovens e as minorias. No Brasil via-se isso para todos os lados: além do país estar no início da Ditadura Militar, outras revoluções eram vistas entre os jovens e inclusive no mundo da música. A Bossa Nova, por exemplo, era um estilo musical dos anos 50 caracterizada basicamente por ser “uma nova forma de cantar samba” e ainda representar o grande crescimento urbano brasileiro – entretanto, ela estava sendo substituída por um novo gênero: a MPB. A MPB caracterizava-se por unir os dois lados da música brasileira: o sofisticado e ao mesmo tempo o de valorização da cultura. Obviamente, isso acabou fazendo com que se tornasse um gênero musical um tanto mais engajado politicamente, visto que tinha toda uma mistura de nacionalismo e tal.



(Chico Buarque foi um dos grandes nomes da MPB e eu senti uma necessidade de botar alguma foto dele aqui apesar de não ter encontrado quase nenhuma que pareça ter sido tirada nos anos 60 (por isso peço que ignorem os dizeres intrusos na foto); quis muito pôr ele por dois motivos: o primeiro é que me surpreendi quando descobri que cresci ouvindo remakes de músicas dele, e o outro é que ano passado num happy hour conheci um homem no centro de São Paulo que jurava ser primo do Chico Buarque e talvez seja verdade, já que encontrei uma foto do mesmo homem no Google quando pesquisei)


(A Maysa está aqui porque me parece que suas músicas pegaram tanto o movimento da Bossa Nova quanto da MPB, e fiquei devendo pra vocês alguma personalidade da Bossa Nova por causa do último post, confesso; outro motivo também é que a imagem dela se encaixa muito perfeitamente no estereótipo dos anos 60 que citei no início do post, na minha opinião. Entretanto, se vocês quiserem um outro exemplo de Bossa Nova, recomendo Peixe Vivo, do Milton Nascimento que vocês provavelmente cantavam no jardim de infância mas mesmo assim é linda <3)



Nos anos 60 foi ainda de grande sucesso um programa televisivo apresentado por Roberto Carlos, Wanderlea e Erasmo Carlos conhecido como Jovem Guarda. Obviamente, a Jovem Guarda era muitíssimo criticada na época por “evitar se envolver politicamente” enquanto o Brasil vivia um momento crítico. Como já é de se esperar, essas pessoas que eram contra esse não-posicionamento da Jovem Guarda e de seus fãs costumavam ser as mesmas que começavam a seguir a contracultura.




Aos anos 60 se deve a origem de subculturas urbanas que ao longo das décadas foram criando cada vez mais vertentes. Acho correto afirmar, inclusive, que a principal “vertente” dessas novas culturas da época seria o movimento hippie – entretanto, optei por explicar um pouco melhor quem foram os hippies no próximo post, pois acredito que eles tiveram uma influência considerável especialmente nos anos seguintes ao de seu cume. Enfim, o ápice da contracultura poderia-se dizer que foi o Woodstock, festival realizado durante três dias nos Estados Unidos reunindo os trinta e dois músicos mais conhecidos da época e conseguindo meio milhão de espectadores, sendo predominantes os adeptos dessa “nova forma de ver o mundo”.


(Chico Buarque e Janis Joplin para vocês <3)

2 comentários:

  1. Como as coisas mudam!!
    http://sweetdreamssah.blogspot.com.br/

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  2. adorei o blog principalmente as imagens ..bastante interessante

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