26/08/2012

Música para a Semana

Lá venho (de novo) falar sobre minha banda favorita O Teatro Mágico; mais especificamente da música "O que se perde enquanto os olhos piscam".

Leia outro post sobre a banda aqui.

Essa música genial foi composta de um modo completamente inusitado: no twitter, os seguidores iam mandando algumas frases, e ela foi gravada assim, na web! O resultado não podia ser melhor!


Eu poderia ficar horas falando, mas a música se explica por si só.

Para saber mais, siga a banda no twitter @oteatromagico e curta no facebook.


25/08/2012

"O que te sobra além das coisas casuais?"



Tenho pensado muito nessas coisas que a gente engole – essas palavras que chegam na pontinha da língua, mas voltam com a saliva e também aquelas palavras que ouvimos e fingimos que não nos doeu. As coisas que deixamos de viver por acharmos não estarmos prontos, por acharmos que aquela situação está à frente do nosso tempo ou por medo...
O que eu tenho pensado muito mesmo é em todas as palavras que eu ando engolindo acreditando que nenhuma delas vai me salvar desse meu medo tão profundo no meu âmago e em todas as palavras que eu consegui não engolir, mas não consegui dizê-las a quem eu queria tanto que ouvisse.
Uma dessas coisas que eu queria dizer é que eu entendo porque as pessoas não amadurecem. Entendo que seja mais fácil viver pelas coisas casuais porque a futilidade é um caminho mais fácil pra felicidade e é por isso que tem tanta gente fútil e vazia ao meu redor. Mas não vou brigar por isso, porque pra deixar de ser fútil e se aprofundar em relacionamentos e atitudes é preciso amadurecer e este é o grande problema.
Amadurecer é uma fase muito dolorosa na vida da gente e as pessoas tem tanto medo de sofrer, medo de se envolver, medo de falar o que querem, medo de serem elas.
O que me incomoda não é quando esse medo impede as pessoas de investirem no que sentem, o que me incomoda é quando elas começam a se aprofundar, mas percebem como é tão vasto ter intimidade e ficam com medo, se assustam e desistem. O que me incomoda é cada pessoa que eu vejo fugindo de ser mais profundo, de ser mais sensível. Me incomoda elas não quererem descobrir o que elas podem ser. Me incomoda elas desistirem por esse medo tão oculto e destrutivo em seu interior.
Quando é a hora da pessoa crescer, ela cresce... não dá pra fugir disso pra sempre.

24/08/2012

3x4


Estava olhando sua foto 3x4 que fica na minha carteira. Demorei meia hora namorando sua boca, e mais vinte minutos namorando seu queixo, seu pescoço. Fiquei pensando, enquanto observava seus olhos, em como você deve estar cansado agora. E olhei os olhos mais um tempo. Fitei as sobrancelhas. Lembrei de como elas se contorcem quando você ri...

E novamente, sem relutar, volto a olhar a boca. Encanto-me ainda mais pelo formato, pela espessura dos lábios, na profundidade entre ela e o queixo. E lembro dos dentes. E do sorriso. Meu coração pulou.

Atrás da foto está escrito que te amo. Talvez eu devia escrever do lado que estou com saudade também.

12/08/2012

Juventude revolucionária: os anos 2000 e o Emocore

( Este post é o penúltimo de uma série sobre o comportamento juvenil cultural ao longo das décadas; você pode conferir seus antecessores no link da tag Juventude Revolucionária )


Finalmente, nossa série de posts sobre os jovens ao longo das décadas chegou nos anos 2000: a década que muitos de nós vivemos e alguns inclusive tiveram o auge de sua juventude. Se por um lado, a pesquisa sobre tal época é quase dispensável, por outro, a responsabilidade em falar sobre o tema agora me é muito maior do que nos posts anteriores, mas eu a enfrentarei. Vamos lá então: primeira década do primeiro século de um novo milênio. O futuro nunca foi tão incerto, afinal, agora os jovens cresciam completamente familiarizados com a tecnologia: os computadores e a internet, principalmente, foram aos poucos conquistando espaço e logo se tornou uma mania entre todas as pessoas, mas deixarei essa parte pra depois.






Musicalmente, no começo da década permaneciam as boybands e girlbands (principalmente no Brasil, com artistas como Rouge e KLB, por exemplo) mas isso não durou muito tempo. Se tornou muitíssimo popular o pop punk, embora isso seja controverso por várias razões – conheço “seguidores” do movimento punk que não concordam em rotular as bandas da época por tal termo, mas não acho tão “profano” assim. Afinal, logo no início da década tínhamos artistas que em suas letras simplesmente mandavam a sociedade ir se foder, de diferentes formas. De alguma forma, a música foi logo se modificando e em meados dos anos 2000 já predominavam no mercado fonográfico artistas vestidos predominantemente de preto e com letras melódicas: começava a popularização do emocore.





Como você provavelmente sabe, o emocore é uma vertente musical que havia surgido lá pro fim dos anos 80, início dos anos 90: algumas pessoas ouviam uma música mais emotiva e diziam apenas que isso era emo – muitos ouvintes do rock, se levado em consideração a cena da época, obviamente não gostavam muito das “músicas emo”. O estereótipo emo não existia naquela época, até porque ele se misturou em todo o contexto dos anos 2000, quando a moda dos scene kids e dos from UK passaram a fazer sucesso. Há quem diga que os scene kids são completamente diferentes dos from UK, e há quem diga que são a mesma coisa – entretanto, isso não é o importante nesse post. Se você souber de que se trata ou for pesquisar na internet, vai descobrir que as fotos de ambos os estilos eram a coisa mais utilizada na época dos fakes. 

(Scene kids é um estilo caracterizado por misturar elementos infantis/coloridos em sua composição, mais ou menos como abaixo; From UK nunca encontrei uma definição confiável então imagino que o estilo seja o mesmo do estereótipo scene kid porém um pouco mais dark)

Ou seja, se for analisar, é como se o estilo emo não existisse: o emo era aquela pessoa que ouvia pop punk (afinal, há quem considere mesmo as bandas que consideramos mais emo como pop punk, já que mesmo elas tinham suas letras revoltosas típicas da época – não me recordo, por exemplo, de qualquer artista que todos nós consideramos emo se rotular com tal nome, o que não deixa de ser uma prova do preconceito gerado desde o início do gênero) e se inspirava no estilo scene kid ou from UK e provavelmente tinha fake no Orkut (pelo menos aqui no Brasil haha). E é agora que entrarei na questão das novas tecnologias: foi nessa década que muitos de nós ganhamos nosso primeiro computador com internet, digam a verdade. Por mais que nos anos 90 isso já existisse, muita gente não tinha – até porque, na minha opinião, não chegava nem perto de valer tanto a pena como hoje.




Muitas pessoas começaram usando sua recém adquirida internet discada para acessar suas redes sociais e na metade ou no fim da década finalmente conseguiu adquirir sua banda larga, o que é um reflexo do quão poderosa a internet estava se tornando – afinal, mesmo com uma rede tão lenta, as pessoas cada vez mais adaptavam seu cotidiano à internet e as grandes empresas começaram a sofrer tal impacto. Que o diga as gravadoras, que lutaram muito contra os downloads gratuitos de músicas pela internet mas não conseguiram muitos resultados e acabaram se rendendo: agora praticamente todos os músicos são obrigados a disponibilizar de alguma forma suas músicas na rede e o CD se tornou obsoleto.



(ignorem essa data e horário intrusos, vieram junto com a imagem e fiquei sem paciência de cortar e salvar de novo e tudo o mais, porém senti necessidade de colocar uma foto dos primórdios do Orkut aqui)





Eu particularmente acredito que o fato de tantos adolescentes terem abraçado o movimento emo esteja intimamente ligado a esse “novo mundo” digital descoberto na época e à popularização dos fakes. Nem todo mundo na época era emo, mas como você, assim como eu, deve ter aprendido ao longo dessa série de posts, o que importa em um movimento juvenil não é tanto quem era quem, mas as causas e o contexto geral. O emo foi popular o suficiente para inclusive ganhar uma vertente que todos nós conhecemos, o emo colorido (ou happy rock), que visava (ou será que ainda visa?) fugir de toda essa aura de tristeza e negrume deixada pelos “emos tradicionais” – entretanto, isso está inserido junto do contexto juvenil do próximo post, que provavelmente vocês entenderão melhor quando eu postá-lo semana que vem.




(ps- me desculpem por ter repetido a Avril Lavigne, mas acho ela tão característica do início da década, sei lá... mas vocês têm todo o direito de discordarem se quiserem; não me perdoaria se não colocasse Pitty no post dessa década porque né; e as duas últimas músicas coloquei porque são inevitavelmente hinos emos, uma delas brasileira e que poucas pessoas ainda se lembram que foi o maior sucesso na época e a segunda eu não preciso comentar né)

10/08/2012

Amadureceu


Assim como o amor acaba, começa, ou até mesmo se perde; ele amadurece.

O fato é que quando esse tipo de coisa acontece, principalmente se for com você, provavelmente achará que o amor acabou. 

É que começa assim: vocês não se falam um dia, e você não morre por isso. Dorme feito um bebê, e acorda feliz porque sonhou que estava andando de bicicleta com quem deixou o celular desligado no dia anterior. Depois vocês transam, e cinco minutos depois estão rindo juntos enquanto veem Padrinhos Mágicos. Não tem mais aquela vergonhazinha de comer um perto de outro, e o pior dos patamares: vocês se beijam pela manhã, antes de escovar os dentes. E ele, depois de um tempo, vai saber exatamente onde você tem celulite. Também vai te evitar nos dias de TPM e admitir que você fica chata quando acorda. 
Vocês vão fazer faculdade, o tempo vai se esvair, e, mesmo assim, vai estar tudo bem.

O que eu posso te dizer é que, apesar dos pesares, isso tudo é uma delícia. Porque, se o amor superar essa coisa de 'amadurecer', ele com certeza deve suportar alguma coisa pior: as contas para pagar, criança chorando no seu ouvido, ou até mesmo não ter nada disso para suportar.

Aprendi que não é toda hora que o amor é aquele que a gente sonha. Aceitar o outro, o tempo, as decisões, o modo de amar e até mesmo quando o outro não quer (ou consegue) demonstrar todo amor que ele sente por você também é amar.
Parece que não, mas é difícil pensar no outro como ser humano. Talvez essa seja a chave.

Sabe, continua sendo amor. O jeito de amar é que muda. E mesmo assim vale muito a pena, até dando errado.

02/08/2012

Juventude revolucionária: os anos 90 e o Grunge

( Este post é o quinto de uma série sobre o comportamento juvenil cultural ao longo das décadas; você pode conferir seus antecessores no link da tag Juventude Revolucionária )

Comecemos falando das principais coisas que firmaram sua existência nos anos 90: CD, por exemplo, finalmente era algo que absolutamente todas as pessoas tinham; baseado no CD, surgiu depois o DVD; as tatuagens e os piercings começaram a ficar populares; os videogames se aperfeiçoam e surgem os clássicos como Mario e Sonic; nasce a MTV brasileira (sendo que a americana já existia há dez anos); e, por fim, a década começa logo com um número consideravelmente grande de pessoas infectadas pela AIDS, que havia sido descoberta na década anterior. 




Agora vamos aos jovens. Se nos anos 70 e 80 as cores e o brilho e as discotecas e todas essas coisas predominavam, finalmente temos uma resposta no mundo do rock, deixando bem claro as diferenças entre o rock e o pop: é a época do movimento grunge (palavra que em inglês significa "sujo" ou "sujeira"). Liderados por bandas como Nirvana, Pearl Jam, Guns and Roses, Alice in chains, entre outras, temos jovens vestidos com camisetas de banda, camisa xadrez e cabelo desleixado angustiados, alienados e revoltados. Me lembro que fiz um trabalho escolar há alguns anos só sobre os anos 90 e focando principalmente no movimento grunge e no Nirvana, mas infelizmente não há como falar de tudo neste único post. 


(Nirvana acima e alguma das gêmeas Olsen abaixo, agora qual delas já é outra história)






A década dos anos 90 foi bem próspera mundialmente pois, finalmente, várias guerras haviam acabado (por exemplo, a Guerra Fria entre EUA e União Soviética (que agora voltava a ser apenas Rússia) e o Regime Militar Brasileiro). Surgia o terrorismo nos países de terceiro mundo, e embora países em desenvolvimento (como o Brasil) estivessem sofrendo com crises econômicas, a globalização se tornava cada vez mais presente e isso acabou ajudando alguns desses países. Acredito que tenha sido uma década de alívio porque, apesar de todos os problemas, não havia mais guerra. Mas agora que já compreendemos o contexto, voltemos ao foco da nossa série.



(As Patricinhas de Beverly Hills acima e pasmem, Johnny Depp abaixo)



O rock teve sua data de morte (para muitos fãs, pelo menos): 5 de abril de 1994, quando o vocalista do Nirvana, Kurt Cobain, se matou. As outras bandas grunge continuaram mas não duraram muito mais que um, dois ou três anos: é então a hora do pop se vingar, lançando cantores como Mariah Carey e Celine Dion, e ainda as boybands Backstreet boys e 'N sync e a girlband Spice girls. O estereótipo desse tipo de pop é basicamente o que conhecemos como mauricinhos e patricinhas (desenterrei do baú, eu sei), que são termos que inclusive são dessa época também.


('N Sync abaixo e Backstreet Boys acima)





(Spice Girls abaixo e Mamonas Assassinas acima)


O rap e o hip hop começaram a ficar mais populares com artistas como Notorious B.I.G. e Tupac Shakur. Na música brasileira, temos o movimento manguebeat liderado por Chico Science e o pop rock popularizado nos anos 80 prossegue, agora com bandas como Skank, Jota quest, Charlie Brown Jr., Raimundos, Pato Fu e os eternos Mamonas Assassinas <3



Ps- por alguma razão, foi ridiculamente difícil encontrar fotos REALMENTE dos anos 90 para esse post, então peço que compreendam qualquer confusão ou equívoco que possa acabar tendo ocorrido com a relação foto-tempo, mas fiz o máximo possível para manter a fidelidade ao tema; mas vendo pelo lado bom, acredito que todos vocês tenham lembranças o suficiente dos anos 90 para notar os problemas de anacronismo. Aliás, não consegui decidir que música brasileira botar no fim do post por isso optei apenas por deixar dois hinos do rock, ambas estadunidenses :3
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