12/08/2012

Juventude revolucionária: os anos 2000 e o Emocore

( Este post é o penúltimo de uma série sobre o comportamento juvenil cultural ao longo das décadas; você pode conferir seus antecessores no link da tag Juventude Revolucionária )


Finalmente, nossa série de posts sobre os jovens ao longo das décadas chegou nos anos 2000: a década que muitos de nós vivemos e alguns inclusive tiveram o auge de sua juventude. Se por um lado, a pesquisa sobre tal época é quase dispensável, por outro, a responsabilidade em falar sobre o tema agora me é muito maior do que nos posts anteriores, mas eu a enfrentarei. Vamos lá então: primeira década do primeiro século de um novo milênio. O futuro nunca foi tão incerto, afinal, agora os jovens cresciam completamente familiarizados com a tecnologia: os computadores e a internet, principalmente, foram aos poucos conquistando espaço e logo se tornou uma mania entre todas as pessoas, mas deixarei essa parte pra depois.






Musicalmente, no começo da década permaneciam as boybands e girlbands (principalmente no Brasil, com artistas como Rouge e KLB, por exemplo) mas isso não durou muito tempo. Se tornou muitíssimo popular o pop punk, embora isso seja controverso por várias razões – conheço “seguidores” do movimento punk que não concordam em rotular as bandas da época por tal termo, mas não acho tão “profano” assim. Afinal, logo no início da década tínhamos artistas que em suas letras simplesmente mandavam a sociedade ir se foder, de diferentes formas. De alguma forma, a música foi logo se modificando e em meados dos anos 2000 já predominavam no mercado fonográfico artistas vestidos predominantemente de preto e com letras melódicas: começava a popularização do emocore.





Como você provavelmente sabe, o emocore é uma vertente musical que havia surgido lá pro fim dos anos 80, início dos anos 90: algumas pessoas ouviam uma música mais emotiva e diziam apenas que isso era emo – muitos ouvintes do rock, se levado em consideração a cena da época, obviamente não gostavam muito das “músicas emo”. O estereótipo emo não existia naquela época, até porque ele se misturou em todo o contexto dos anos 2000, quando a moda dos scene kids e dos from UK passaram a fazer sucesso. Há quem diga que os scene kids são completamente diferentes dos from UK, e há quem diga que são a mesma coisa – entretanto, isso não é o importante nesse post. Se você souber de que se trata ou for pesquisar na internet, vai descobrir que as fotos de ambos os estilos eram a coisa mais utilizada na época dos fakes. 

(Scene kids é um estilo caracterizado por misturar elementos infantis/coloridos em sua composição, mais ou menos como abaixo; From UK nunca encontrei uma definição confiável então imagino que o estilo seja o mesmo do estereótipo scene kid porém um pouco mais dark)

Ou seja, se for analisar, é como se o estilo emo não existisse: o emo era aquela pessoa que ouvia pop punk (afinal, há quem considere mesmo as bandas que consideramos mais emo como pop punk, já que mesmo elas tinham suas letras revoltosas típicas da época – não me recordo, por exemplo, de qualquer artista que todos nós consideramos emo se rotular com tal nome, o que não deixa de ser uma prova do preconceito gerado desde o início do gênero) e se inspirava no estilo scene kid ou from UK e provavelmente tinha fake no Orkut (pelo menos aqui no Brasil haha). E é agora que entrarei na questão das novas tecnologias: foi nessa década que muitos de nós ganhamos nosso primeiro computador com internet, digam a verdade. Por mais que nos anos 90 isso já existisse, muita gente não tinha – até porque, na minha opinião, não chegava nem perto de valer tanto a pena como hoje.




Muitas pessoas começaram usando sua recém adquirida internet discada para acessar suas redes sociais e na metade ou no fim da década finalmente conseguiu adquirir sua banda larga, o que é um reflexo do quão poderosa a internet estava se tornando – afinal, mesmo com uma rede tão lenta, as pessoas cada vez mais adaptavam seu cotidiano à internet e as grandes empresas começaram a sofrer tal impacto. Que o diga as gravadoras, que lutaram muito contra os downloads gratuitos de músicas pela internet mas não conseguiram muitos resultados e acabaram se rendendo: agora praticamente todos os músicos são obrigados a disponibilizar de alguma forma suas músicas na rede e o CD se tornou obsoleto.



(ignorem essa data e horário intrusos, vieram junto com a imagem e fiquei sem paciência de cortar e salvar de novo e tudo o mais, porém senti necessidade de colocar uma foto dos primórdios do Orkut aqui)





Eu particularmente acredito que o fato de tantos adolescentes terem abraçado o movimento emo esteja intimamente ligado a esse “novo mundo” digital descoberto na época e à popularização dos fakes. Nem todo mundo na época era emo, mas como você, assim como eu, deve ter aprendido ao longo dessa série de posts, o que importa em um movimento juvenil não é tanto quem era quem, mas as causas e o contexto geral. O emo foi popular o suficiente para inclusive ganhar uma vertente que todos nós conhecemos, o emo colorido (ou happy rock), que visava (ou será que ainda visa?) fugir de toda essa aura de tristeza e negrume deixada pelos “emos tradicionais” – entretanto, isso está inserido junto do contexto juvenil do próximo post, que provavelmente vocês entenderão melhor quando eu postá-lo semana que vem.




(ps- me desculpem por ter repetido a Avril Lavigne, mas acho ela tão característica do início da década, sei lá... mas vocês têm todo o direito de discordarem se quiserem; não me perdoaria se não colocasse Pitty no post dessa década porque né; e as duas últimas músicas coloquei porque são inevitavelmente hinos emos, uma delas brasileira e que poucas pessoas ainda se lembram que foi o maior sucesso na época e a segunda eu não preciso comentar né)

Um comentário:

  1. Obrigado por nos ajudarem em nossa pesquisa! Ótimo dite, bastante informativo ;)

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