23/09/2012

Satélite Artificial




Meu planeta, por um tempo, esqueceu-se de seu movimento de rotação. Esqueceu-se de introspecção, de reflexão. Esqueceu-se de si.
Nós - eu e meu planeta - nos preocupávamos demais com nosso satélite. Todo redondinho, paradinho, tão brilhante que parecia refletir luz do sol.
Sem a rotação, não tínhamos dia nem noite. Não tínhamos escuridão, nem luz. Mas não importava. Tínhamos o satélite. Tínhamos nós.
Os dias foram se acumulando aos pouquinhos, se perdendo no infinito da galáxia. Estávamos estagnados, mas nos sentíamos felizes.
Pensávamos em formar um novo sistema. Queríamos girar em torno do satélite, e assim irmos para longe, largando todo tempo para trás, sem receio algum.
Mas ele, apesar de tudo (tudo mesmo), não sabia o que fazer com o meu planeta. Não girava com ele, que é o que, na concepção humana - e planetária - deveria fazer naquela condição. Ele não queria ficar parado.
O satélite saiu da órbita. Meu planeta ficou sem por quem parar. Olhou para o infinito e viu os dias acumulados, dos quais ainda não fazia muita questão.
Meu planeta aprendeu com esse satélite que tudo o que é para ser, que tudo o que é natural, não sai da órbita, não vai embora. Fica lá para girar junto.
O satélite, na verdade, não refletia a luz do sol. Tinha luz própria, mas nem brilhava mais perto do meu planeta. Ele sentiu que queria girar, mas não conosco.
Meu planeta resolveu girar sozinho, acumular um pouco mais de poeira e gás galáxia afora. Não era hora de se condensar. Ainda temos muito o que crescer, antes de tentar de novo.

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