30/11/2012

Nuvens de tecido


Nuvens de tecido. Um despertar no paraíso. O corpo perdendo sua forma para unir-se ao Todo. Tornar-se nada, o orgasmo da despreocupação. Os olhos se fechando lentamente, cada objeto ao redor se borrando pouco a pouco. A câmera sai de foco, o último olhar se torna uma foto. Uma foto a viajar pela mente, a mente a viajar pelo espaço. A escuridão incolor se adensando, impondo-se em cada partícula do cérebro que a cada segundo -- o que seria o segundo? -- relaxa mais e mais. E o mais é uma palavra que se perde nessa imensidão da cegueira, pois afinal nada é mais do que esse mais do que esse mais. Nada mais que esse mais que se perde nessa imensidão da cegueira que não é mais do que esse mais do que esse mais.
         
Cortes e colagens, a mente como uma obra dadaísta, dadaísta obra a mente é uma colagem. Cortes, o cérebro como um diretor de cinema que entre tantas filmagens se vê obrigado a decidir o quê e onde deve ser retirado cortes onde quê e quando. Diretor de cinema deve ser retirado, filmagens obrigado. As memórias começam a se perder, nos tornamos um barco a viajar, a maré a ressaca a se perder um barco a se perder as memórias. Perde-se tudo, perde-se o mundo perde-se o chão perde-se a noção. A noção só resta a noção a pouca noção do que afinal é o chão em que viajamos então. O chão é mar é amar é amor é paixão. Nada é a noção, nada somos então.
         
A visita de Hypnos do Sono de Morfeu do R.E.M. da Solidão. Este sou eu nos holofotes perdendo minha religião. Hypnos Sono o que é religião Morfeu Solidão R.E.M. acho que eu falei demais. Começam os delírios desce-se nos rios. Todas as coisas se tornam sombras se tornam delírios desce-se nos rios. Se desce no rio se desse no rio se desse para pelo rio passar, atravessar uma vida inteira sem precisar descansar descansar sem pestanejar descansar uma vida inteira pelo rio passar se desse todas as coisas sombras todas as coisas sobram. Sobra-se coisas sobra-se sombras sobra-se tudo e não se vive se transborda uma vida inteira sobra-se sombras uma vida inteira se transborda uma vida inteira não se vive as memórias começam a se perder perde-se tudo perde-se sombras perde-se sobras e o mais é uma palavra que se perde nessa imensidão do mais que se perde perde-se tudo perde-se o mais nada mais que esse mais nessa imensidão de uma foto a viajar pela mente os olhos se fechando lentamente. Perde-se a gente.
         
Perde-se as horas. Os olhos se abrem, o despertador toca. Perde-se as sombras as sombras se perdem, perde-se a pouca realidade do nada-ser do nada-ser perde-se a realidade. O chão é a noção, no chão pisa-se os pés os pés pisam no chão. O sol a brilhar um futuro a começar, perde-se as memórias perde-se as sombras. Na minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam blá blá blá. As nádegas abandonam as nuvens de tecido, abandonam os nadas e ainda o paraíso. Perderam-se as horas e de volta estamos no mesmo mundo de antes. A câmera recupera o foco, o diretor afinal deve voltar ao seu posto. A vida deve voltar a ser dirigida, os olhos devem voltar à cegueira de ver tudo o que está a nossa frente. Perdem-se as sombras, perde-se a gente. E a gente volta a ser e a parecer gente, tudo volta a ter formato e voltamos a nos familiarizar com essa loucura de dar uma palavra e uma simetria a todas as coisas. Perdemos a razão para dizermo-nos racionais, o abrir dos olhos é um filme rodando para trás. Ande e prepare o café, está na hora de acordar rapaz.


06/11/2012

Adeus Você

E por muito tempo precisei de você... e você sempre esteve lá.
Começamos do nada, nos encontramos assim, de repente... e logo o amor surgiu.
Nos conhecemos, aprendemos a aceitar nossas diferenças e tudo ficou mais intimo.
E cada vez que sabia que iria te ver meu coração palpitava mais, minha cabeça se embaralhava e eu contava os segundos para que você chegasse e me desse aquele beijo. E que beijo!
Nossas brincadeiras, nossos domingos, nossos sonhos, tudo ficou tão só nós dois.
Mas um dia, quando as bases do meu castelo se abalaram, você não veio me sustentar,
você me tirou o chão de vez e eu afundei numa imensa angústia que pensei que jamais sairia dela.
E por mais que todos me dissessem que ia passar, que alguém melhor apareceria, nada disso me ajudava a melhorar, nada me ajudava a esquecer você.
Foi tudo tudo tão intenso entre nós dois, o que aconteceu que acabou?
Mesmo tão lindo, acredito que não houve maturidade na nossa relação, ambos precisávamos de apoio e nenhum soube apoiar o outro.
Tentei viver novos amores, mas nada será como eramos. Não quero que seja como nós fomos.
Meu coração é seu e, talvez, por um bom tempo será.
Tudo isso me serviu para crescer mais, sonhar mais, querer mais.
Então, talvez, eu deva te agradecer, por me dar coragem, mesmo sem saber, de seguir em frente, ir atrás dos meu objetivos. É isso que estou fazendo, estou vivendo e bem.
Hoje compreendo sua decisão, te perdoo, ainda te amo, porém não quero outra dose de você.
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