27/12/2012

De mais ninguém


Apesar de tudo, eu iria. Eu tinha certeza de que devia fazer aquilo, me faria feliz. Após nossos encontros destilados em segundas ou terceiras intenções, eu ia rumo à sua casa, verificando se meu all star estava limpo a cada passo que eu dava. De qualquer forma, o all star não importava, então preferi ter certeza que o decote da minha blusa teria uma boa vista. Sabe aquela minha favorita? É aquela que tem uns botões em ouro velho. 

Arrastando os pés e chutando as pedras, cheguei à sua casa. Comumente você estaria tomando banho. Dessa vez não foi diferente. Quando saiu com o rosto molhado - não lembro se seu cabelo estava maior - eu apenas sorri para você. Você me olhou, me segurou pelos braços e retribuiu o sorriso. Nos seus olhos consegui ler "Sua louca, não acredito que você veio mesmo!" e depois um "Meu Deus, ela gosta de mim!". 

E é, eu gosto de você. Também devo admitir que você deve ter planejado aquilo tudo. Estar sem camisa e ter colocado Los Hermanos pra tocar antes de entrar no banho foi no mínimo, um golpe muito mais baixo que meu decote. Não consegui focar no seu possível plano. Ficamos nos olhando por um tempo, e eu continuei tentando desvendar o que se passava na sua cabeça. Era diferente para nós aquela sensação de que havia uma barreira entre nós. 

Nos segurávamos pelo braço, nos olhávamos, sorríamos e aquilo era quase que suficiente. No coração, eu já estava calma, afinal, eu estava no seu quarto, e você estava me encostando na parede. Quando chegou bem perto, elogiou a flor que estava no meu cabelo. E se aproximou mais, e mais... Tínhamos nos beijado antes, mas aquele era intercalado por sorrisos. É, eu sorrindo de novo. E não conseguia parar. Apoiei meus braços na sua nuca, e fiquei feliz por ter decidido ir ver você, por decidido que nós merecíamos uma nova chance. Te sorri e beijei de olhos fechados, derreti em cada abraço apertado, molhado e com cheiro de banho. 

Nos sentimos e nos deliciávamos com o fato de aquilo era nosso, de mais ninguém. A barreira, nunca foi nossa. Apenas deixamos que a erguessem ali. Essa desmoronou quando fui pra casa, larguei a bolsa no canto do quarto e entrei no banho pra só querer ver você sair do seu. 
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