10/02/2013

Sem título II

No multiverso das metáforas o sol era radiante
brilhando todos os dias acima d'um mar insignificante.
Nesse mar insípido nada um peixe de águas frias
que todos os dias
os raios do sol contemplava.
Raios dourados que a imensidão azul dourava.
O peixe adorava,
 se jogava no prazer
de nada ver.
Bêbedo de amores e luxúrias, esquecia-se do cardume
o peixe só queria saber daquele lume
que abraçava o mundo lá do cume.
Mas um dia o sol se cansou ao pensar
que ele podia ter todo um universo
e o peixinho todo um mar;
olhou para os lados e viu que há algo além de amar.
Nós sabíamos, ele disse, que logo chegaria essa hora
esse momento difícil que eu teria de ir-me embora
jamais te esquecerei,
peixe-rei,
mas o oeste precisa de dia também.
E foi-se
chorou uma última lágrima a cortar como uma foice
o pranto do peixe-frio virou maremoto
e em cada gota ele afogou-se
ao partir o sol o cobriu com uma bela escuridão
deu um último beijo de boa noite e ainda as estrelas
disse "elas são como eu e te iluminarão também"
mas ao olhar para toda aquela imensidão
o peixe sabia que elas nunca seriam tão belas
pois igual ao sol não haveria mais ninguém.
Ele se apaixonou por cada um daqueles pontinhos distantes
amou todos a cada instante
mas para ele, na verdade
apenas um amor trespassaria em seu coração
o espacinho da eternidade.


Um comentário:

  1. Nossa, muito legal, fui lendo e imaginando, super.
    Acredita, eu estava lendo e ouvindo uma música que se encaixa muito bem nesse texto, que era Jão de Barro da Maria Gadú. Muito legal.
    Espero sua visita:
    apatia-social.blogspot.com.br

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