12/02/2013

Um conto sobre a solidão


Estava sentado na mesa do bar, só. Levantou-se até o balcão e pediu uma cerveja e dois copos. Voltou, sentou-se e enquanto olhava os carros da rua servia os copos. Brindou (era um individuo supersticioso) e tomou seu primeiro gole. Permaneceu observando os carros, as pessoas atravessando a rua e o lugar a sua frente continuava vazio. Tomou mais um gole e seu copo estava na metade enquanto o outro estava intacto.
Ia se embriagando só.  Quando percebia que alguém entrava no bar seus olhos se enchiam de esperanças e eles logo se esvaziavam, ninguém sentava naquele lugar vazio em frente a ele. Começou a sentir o egoísmo e o preconceito das pessoas ao seu redor e isso começou a deixa-lo cabisbaixo...
Foi sutilmente perdendo a esperança de que alguém entraria naquele bar e se sentaria junto a ele e já se foram alguns copos e vários goles até a cerveja da garrafa acabar, seu copo esvaziar e o outro copo continuava intocado.
“ – Desce mais uma” disse ele. Encheu novamente seu copo e agora tinha chamado a atenção do moço do balcão que notou que ele nem tinha tocado naquele copo cheio. Mas o tal moço do balcão logo foi se ocupar de outras coisas, estava habituado em observar todas aquelas pessoas que ficavam sozinhas naquele bar e uma pessoa sozinha mas com um copo a mais não faria diferença pra ele. A cerveja continuaria sendo vendida.
Com a bebida fazendo efeito em seu organismo vieram lembranças, e em suas goladas foi lembrando-se de como tinha chegado a aquela condição tão triste e sozinha num bar. Analisou suas antigas decisões e por medo de não se entregar totalmente poderia hoje não estar vivendo de tal forma. Se tivesse sido mais sincero também agora saberia onde estavam seus amigos, seus filhos... mas naquele estado de embriaguez que cooperava com essa confusão mental, nem se lembrava mais do rosto de ninguém. Então segurou o choro. Levantou-se e pediu a conta.
No caminho tortuoso de volta a sua casa ele já tinha se esquecido e se lembrado de tantas coisas que se sentia mais tonto ainda. Chegou na portaria do prédio que residia e resolveu subir pelas escadas. Não reconhecia muito bem onde estava mas sabia que morava ali. Deitou-se no sofá e cochilou, sentia que não tinha mais nada a ganhar enquanto estava acordado e não queria mais se lembrar de tudo o que o transformou em quem ele era.
Algumas horas depois se assusta com os ruídos de uma chave abrindo a porta e risadas de crianças. Abriu seus olhos e viu seus netos chegando da creche, e no sorriso deles percebeu que o dia ainda não tinha acabado e que essa foi a unica boa noticia do dia: sempre podemos recomeçar.
Faça o seu comentario!!!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

© 2014 Conspiração Vital - Todos os Direitos Reservados | Design por Ceres Bifano, Diagramação por  Matheus Pacheco.