21/02/2013

Uma poeira disfarçada de palavras



Peço que me desculpem se por trás das palavras nada mais sou. Nunca excluí a possibilidade de não ser muito mais do que uma sensibilidade extremamente aguçada. Capacidade de sentir, e sentir em demasia. Nada mais que isso.

Pois os que apenas sentem pouca utilidade têm para a sociedade. Inocência excessiva perambulando por aí fingindo entender de alguma coisa. Conhecimento treinado mas nada mais saber além de absorver. Absorver tristezas e felicidades, bondade e maldade. Uma ilha de contradições que, por trás de si, nada mais é além de si mesma. Um si insignificante. Sem talento comercial, sem talento social. Um aprender linguístico para apenas reproduzir o pouco em que se pensa. Um mero treinamento.

Mas de experiências vive minha inocência. Tantas ruas desviadas e afinal é isso o que a torna quem é. Tantos desvios que afinal ela acaba perdida. Uma inocência perdida na multidão, como se tivesse acabado de retornar a consciência e não saber como fora parar ali. Inocência em ponto alto o suficiente de forma a ser ingenuidade. Ingenuidade por pensar que se é alguma coisa.

E eu sou isso: palavras lidas, experiências passadas. Com utilidade posterior ou não, a mesma só será descoberta no momento de sua utilização. Que miserável ser um homem conhecedor de tantas coisas e nem ao menos saber a função de cada conhecimento! Porque afinal todo conhecimento é inútil. Na melhor das hipóteses, continuamos sendo nada mais que uma poeira cósmica.
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