03/03/2013

Leia Alphonsus de Guimaraens!

[Antes de tudo devo informar que a intenção dos posts de dicas de artistas que posto aqui no Conspiração Vital são feitos após eu conhecer algum que acho muitíssimo legal e que me felicitaria compartilhar para que as outras pessoas possam conhecê-lo e maravilhar-se com as obras do mesmo também. Sendo assim, eu indico com a intenção de ser uma sugestão e nada muito além disso. Obviamente faço as pesquisas necessárias e procuro conhecer as obras antes de falar sobre elas, mas não me responsabilizo por detalhes que possam estar errados ou que fujam do meu conhecimento (todo mundo já cometeu o equívoco de confiar numa fonte indevida ao realizar uma pesquisa, não?). Caso isso venha a ocorrer, peço que me desculpem e preferencialmente me alertem sobre o erro para que ele não repita.]
 
 

Quando conheci o Rimbaud, cujo sobre o qual também fiz um post aqui pro blog, imediatamente me pus a querer saber mais sobre o simbolismo. Infelizmente ainda não consegui tocar em nenhum livro do Rimbaud, mas permanecerei nessa minha luta até conseguir realizar essa vontade; entretanto, o post hoje não é sobre o Rimbaud e sim sobre um outro poeta simbolista, desta vez brasileiro: Alphonsus de Guimaraens.
 
Me deparei com esse nome algumas vezes ao pesquisar sobre o movimento literário já citado e não dei muita atenção até que, andando pela estação Paraíso, me toquei que há um poema dele lá (quem tiver passado por lá deve ter notado, o nome do poema é "Ismália"). Achei lindo.
 


Algumas semanas atrás fui à biblioteca e comecei a procurar por livros de poemas já que até pouco tempo atrás eu tinha dificuldade para lê-los e agora esse tipo de livro se adapta melhor a minha rotina. Decidi trabalhar em cima disso, essa "educação poética" -- e me deparei com um livro bem velho, verde, sem nada escrito. Era de poemas do Alphonsus de Guimaraens. Peguei emprestado, me apaixonei.
 
Seu nome verdadeiro era Afonso Henrique da Costa Guimarães e ele nasceu em Ouro Preto, em 1870. Quando ainda jovem perdeu sua noiva Constança, para quem escreveu lindíssimos e tristes poemas. Estudou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco (aqui em São Paulo) e depois voltou pra Minas Gerais. Se tornou promotor, casou com Zenaide e teve mais de uma dúzia de filhos. Lançou alguns poemas e se tornou jornalista. Fui vago na descrição da vida dele pelo fato de que as fontes que encontrei não são lá muito confiáveis, então optei por omitir os detalhes referentes a nomes de livros e datas. No próprio livro que eu li dele dizia, na introdução, que por vários anos fora muito difícil encontrar uma obra dele pelo mesmo não ter sido tão popular até uma série de outros escritores se inspirarem e “reavivarem” sua obra. O que é verdade já não sei.

 
Enfim, tendo o “solitário de Mariana” (sendo Mariana o lugar onde viveu) se tornado escritor, passou então a usar um novo nome: Alphonsus de Guimaraens. Por quê? Para se adaptar à própria arte dele, que era composta muitas vezes por expressões, palavras e etc. “antigas”, sofisticadas. Alphonsus de Guimaraens foi um católico fervoroso, tendo grande parte de seus poemas um cunho religioso ou no mínimo místico, e inclusive há alguns com trechos em latim. Mas enfim, deixarei que vocês saboreiem alguns dos poemas dele (alguns dos que mais gostei, na verdade) e então me digam o que acharam <3
 


Amor e ódio
"Quando o infinito de astros se recama,
Enchendo -se de infindos grãos de areia,
A alma do amor à flor dos céus andeia,
A alma do ódio se perde em mar de lama.
Seja, bendito, ó céu, aquele que ama,
Maldito seja, ó inferno, quem odeia!
Mas de luz ambos trazem a alma cheia:
No ódio e no amor fulgura a mesma chama.
A luz do ódio é vermelha; é sol insano
Morto no acaso: sangue, ódio e mais ódio,
Derramado por sobre o peito humano...
A luz do amor é o luar; pelos espaços
Brilha e vem, como irial anjo custódio,
Proteger-nos e guiar nosssos passos."
 
~*~
 

"O céu é sempre o mesmo: as nossas almas
É que se mudam, contemplando-o. É certo.
Umas vezes está cheio de palmas;
Outras vezes é só como um deserto.

Quem sabe quando vêm as horas calmas?
Quem sabe se a ventura vem bem perto?
Homem de carne infiel, em vão espalmas
As tuas asas pelo céu aberto.

...
O que nos cerca é a fugitiva imagem
Do que sentimos, do que longe vemos,
Sempre sofrendo, sempre em vassalagem.

A vida é um barco a voar. Soltem-se os remos...
Cada um de nós da morte é servo e pajem:
Somos felizes só porque morremos."


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