13/04/2013

Ana e um Drama: da rápida procriação de porquinhos-da-índia ao assédio sexual


Sempre quis ter algum animal pequeno, que eu pudesse ficar sempre na mão, perto de mim e que  não tivesse problema em ficar no meu quarto. E aí que minha historia começou: decidi que queria ter um porquinho-da-índia e depois de muito tempo convencendo meus pais, fui ao Mercado Central e trouxe a Matilda para casa. Quando chegamos em casa já fui arrumando um cantinho pra ela, com água, comida e todo o conforto que ela poderia ter. Estava apaixonada. Ficava o dia todo com ela e por conta dela, deixava ela solta no jardim todas as tardes e ficava maravilhada a observando.
Com o passar de cerca de um mês, comecei a sentir ela muito sozinha e quis trazer mais alguém para fazer companhia a ela. Meu pai quis trazer um macho, eu consenti desde que ficassem separados e então trouxemos o Tim, um porquinho lindo como um castor. Cheguei em casa, mas não consegui separa-los porque a Matilda não estava numa gaiola, mas numa banheira de dar banho em bebê.  Então tudo bem, eles estavam lindos e vivendo felizes quando de repente, o Tim morreu. Eu fiquei muito, muito, muito triste e falei que não queria ter mais nenhum porquinho, porque eu não queria que mais nenhum morresse por aqui, ter que aguentar a morte de mais porquinhos e a da Matilda seria doloroso demais. Mas, mesmo tendo falado tudo isso pro meu pai na semana seguinte ele já apareceu com outro macho, o Batuta. 
Quando o Batuta chegou, eu fiquei com raiva do meu pai, briguei, mandei devolver mas ele queria que ele ficasse e ignorou a minha reação, então eu me afastei dos porquinhos. Não queria mais cuidar deles e deixei tudo por conta do meu pai.
Passaram-se mais alguns meses até que um dia, de repente, apareceu um filhote aqui. Eu cogitei mil possibilidades até aceitar que a Duda era cria do Batuta e da Matilda, mas o que eu não percebi é que foi aí que meu drama começou. Depois que esses animais tem cria uma vez, não param nunca mais e inclusive hoje, já nasceram mais. 
Então a Duda estava crescendo e a Matilda teve cria mais uma vez, nasceram três porquinhos machos: o Tim (nasceu um porquinho igual o falecido, quase chorei quando vi aquilo), o Dom e o Fúria da Noite.
 Aí a Duda ficou prenha um tempo depois (provavelmente do pai dela, o Batuta) e teve dois filhotes, a Elizabeth e o Canudinho e hoje a Matilda teve mais quatro e eu suspeito que a Duda esteja prenha novamente. É uma loucura assimilar isso tudo, né?
Depois da cria da Duda, minha mãe começou a ficar desesperada querendo sumir com eles daqui de casa. Eles são criados soltos no jardim e por isso destruíram todo o gramado e DERRUBARAM algumas plantas da minha mãe. Já tem tempo que quero doa-los, até tentei um dia publicando no Facebook e apareceram alguns interessados, mas eu não tenho uma disponibilidade de tempo durante a semana pra encontrar com essa galera e ficou por isso mesmo. 
Eu também já estava cansada e até irritada de ter eles aqui, é muito legal criar um porquinho da índia ou até dois, mas criar os 8 que eu criava e agora criar os 12 não vai dar certo. Não tem grama que aguente tantos excrementos assim! Mas hoje foi o estopim pra mim. Eu já estava me sentindo mal e negligente com eles, com a forma que eles são criados e com o ambiente  que eles mesmos estavam tornando precário  E hoje, apesar ter ficado muito emocionada em poder ter participado, mesmo como plateia do nascimento dos filhotes e ter visto tão de perto o “milagre da vida” e como “a vida é tão rara” e frágil, fiquei também TRANSTORNADA, porque enquanto a Matilda paria o Batuta já tava querendo cruzar. Exatamente isso: ENQUANTO ELA ESTAVA TENDO OS FILHOTES O FILHO DA PUTA ESTAVA TENTANDO COMER ELA. Isso não é revoltante? Eu fiquei tão puta com aquilo que peguei primeiro todas as fêmeas e coloquei na gaiola. Aí liguei pro meu pai e ele disse pra fazer o contrário porque a Matilda precisava de espaço. Então peguei todos os machos, coloquei na gaiola e soltei as fêmeas.
Fiquei com muita raiva porque eu não esperava que eles fossem tão irracionais assim, e eu percebi como nós seres humanos somos tão parecidos com eles. Minha mãe sempre fala que as fêmeas ficam fugindo dos machos que ficam tentando acasalar com elas boa parte do tempo, e isso é uma coisa que só incomoda quando a gente vê. Estupro e incesto também são presentes no mundo animal; essa atitude desses animais irracionais que fez com que algumas atitudes dos animais racionais fizessem sentido pra mim. 
Assédio é uma coisa que só incomoda quando estamos presentes, e na nossa cultura existe uma culpa por parte da vitima tão grande que agimos como se estivesse tudo bem o macho fazer isso porque afinal, a fêmea que pediu, e no caso dos seres humanos é culpa da mulher que usa roupa curta e justa, que tira foto de biquíni porque “ela está pedindo para ser estuprada”. NÃO GENTE, NÃO É ASSIM. 

Recentemente li um texto falando sobre nossa “cultura do estupro” e concordei completamente com o que li, e para não falar tudo o que está escrito lá, clique aqui e leia ele na integra para complementar este texto e o ponto em que eu quero chegar sobre assédio. 

Um comentário:

  1. FURIA DA NOITE
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    *PAUSA RESPIRA*
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
    CARA, ELE TAVA TENTANDO COMER ELA ENQNT ELA TAVA PARINDO? VÉI, Q MEDO CARA.
    VOU LER O TEXTO Q VC INDICOU, DPS DE PARAR DE RIR.

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