11/04/2013

Conspirando: Homossexualismo, a pauta como pauta


Sei que a Maria já fez um post com o mesmo tema há pouco tempo aqui mas, devido aos recentes acontecimentos, me sinto quase na obrigação de abordá-lo novamente, dessa vez dando uma enveredada nos mamilos dos últimos tempos.

Daniela Mercury assumiu seu relacionamento com uma mulher nos últimos dias e já é capa das revistas Época e Veja, ambas tratando do tema da união afetiva. Tá, foda-se. Enquanto isso, temos Joelma da banda Calypso dizendo que ter um filho gay é como ter um filho viciado em drogas. E, principalmente, o mais ridiculamente importante, é a recente nomeação de Marco Feliciano como representante da Comissão de Direitos Humanos e Minorias. Sobre tudo isso acho que vocês já ouviram falar.

A nomeação de Marco Feliciano tem gerado uma onda, na minha opinião necessárias, de protestos -- tanto é que ele se sentiu no direito de não permitir mais que suas reuniões fossem abertas ao público. Segundo a edição de ontem do Metro, a própria Procuradoria Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal que Marco Feliciano se torne réu respondendo pelo crime de discriminação. Há alguns dias nove deputados tentavam processá-lo por quebra de decoro. A cada dia mais membros da Câmara se sentem desconfortáveis com o cargo de Feliciano. Uma das pessoas a protestarem contra o pastor inclusive é o ator Alexandre Nero que, justamente por se colocar a favor da união homoafetiva, foi atacado por comentários homofóbicos, o que gerou mais lenha pra esse tema.

A Veja, cujo conteúdo é notoriamente questionável, estampa em sua capa que a saída de armário da Daniela Mercury torna a questão da união homoafetiva inadiável no Brasil. Não li a matéria da revista, mas que é um anúncio ambíguo, isso é. E é provavelmente toda essa atenção dada a algo que, de certa forma, não passa de mais uma fofoquinha cotidiana, que me moveu a escrever a respeito.

Parece que estamos de volta a 2011, só falta mais uma novela com temática gay sem beijo gay. Na época, o homossexualismo se tornou pauta por causa do crescimento imenso de ataques de neonazistas (dizer "skinhead" é errôneo, pesquise um mínimo sobre os movimentos antes de regurgitar tudo o que a mídia televisiva empurra pra sua garganta) a casais teoricamente gays (nem todos os "casais" beijavam pessoas do mesmo sexo, não nos esqueçamos disso). Várias polêmicas surgiram e logo esfriaram, para agora voltarem outras, a meu ver, bem mais superficiais.

E sim, eu digo o termo "homossexualismo" e não dou a mínima se o termo foi criado para se referir aos homossexuais como pessoas doentes. O sufixo "-ismo" não é usado apenas para doenças (o impressionismo não é a doença da impressão, o perfeccionismo não é a doença da perfeição, o socialismo não é uma doença social). O "ismo" é um sufixo abrangente e muito usado para definir movimentos ou ideologias (além de ser usado em vários outros casos e sim, indicar doença é um deles) e eu, particularmente, acredito que podemos mudar a história. Há quem critique a Parada Gay por sua tendência a parecer um carnaval e há quem diga que essa é uma forma alegre de protestar. Pois se esse argumento é válido, acho mais válido ainda inverter de forma inteligente o significado atribuído a um termo que começou a ser usado de forma jocosa, usando os desdobramentos do mesmo termo a nosso favor. E é assim que eu vejo: a questão homossexual como algo semelhante a um movimento.

Até porque, a polêmica do homossexualismo é algo consideravelmente recente. Acompanha a humanidade ao longo de toda sua História (filósofos antigos tinham relações com seus mestres visando adquirir a sabedoria deles, por exemplo) e eu simplesmente não compreendo as razões dessa questão ser inadiável em pleno ano de 2013. O que há para ser questionado? Apesar de tanto se falar na questão "minha vida é da minha conta" do pós-modernismo, muita gente parece não entender esse fato. As pessoas que se dizem contra a união homoafetiva insistem em bater na tecla do porquê da Criação e se metem demasiadamente na questão do que o Outro faz com suas genitálias. Parece muito difícil entender o fato de que o que a pessoa faz com seus órgãos sexuais diz respeito apenas a ela (contanto que a pessoa, legume, objeto, etc. que esteja praticando atos sexuais com a mesma consinta) e que nossa cama não tem necessariamente nada a ver com nossas amizades, trabalho, saúde mental, etc.

Claro, gays apresentam tendências em comum desde a infância e alguns estereótipos se tornam presentes com o amadurecimento da sexualidade dos mesmos. E com heterossexuais também é assim (caso você não saiba, gays comparam estereótipos héteros assim como héteros comparam estereótipos gays). Mas o mais intrigante talvez seja pessoas que gostam de pessoas do mesmo sexo mas não necessariamente de forma afetiva, ou vice-versa (conheço muitas pessoas assim). Isso me leva a considerar bastante, por exemplo, a escala de Kinsey (dê uma jogadinha no Google a respeito disso se você não souber o que é, vale a pena) embora, minha opinião geral seja de que sexo é algo natural e que a atração se manifesta de diferentes formas em diferentes pessoas e situações. Mesmo heterossexuais, se uma pessoa quer ser bonita ela precisa ao menos se espelhar em alguém do mesmo sexo, por exemplo. Ou seja, ser ou não gay, assumido ou não (embora haja a questão "Assumido para quem? Os pais? Os amigos? A sociedade? Os parceiros sexuais? A si mesmo?"), a meu ver, é uma questão muito mais social do que sexual. Daí mais um argumento meu em defesa do termo "homossexualismo". Mas acho que precisarei fazer um novo post sobre isso mais tarde porque talvez eu tenha fugido um pouco da proposta desse.

Tá aí, apresentei os tópicos que me levaram a abordar esse tema e despejei uma síntese das minhas ideologias quanto a isso. Deixo com vocês então a reflexão: por que a união de duas pessoas do mesmo sexo precisa(ria) ser debatida? Por que tanta demora para aprovar leis tão simples? Por que, ao invés de questionarmos as coisas, não questionamos o porquê de estarmos questionando? O que é e o que não é o preconceito, de onde ele vem e por que prossegue? Até onde ser homo ou hétero ou bi ou tri ou pansexual tem a ver de fato com a sexualidade da pessoa e até onde tem a ver com a mesma como ser social? O que estamos verdadeiramente debatendo há décadas e por que devemos ter uma opinião sobre isso? Há muitas perguntas que eu gostaria de lhes fazer, mas deixarei apenas algumas.


Um comentário:

  1. Marco Feliciano é um ignorante falando de assuntos de gente inteligente. A veja é uma revista que não merece ser lida.
    Eu acho que é muita gente falando sobre o que não sabe. Ninguém tem a ideia de como é ser homossexual, sofrer preconceito, ser taxado com apelidos horríveis, e mesmo assim todo mundo quer opinar sobre diversas questões que só dizem respeito a eles! Acho que é muita gente se metendo, muito politico proibindo sendo que isso não prejudica em nada o resto da população! O Marco Feliciano lá, sim, prejudica, e mesmo assim ngm faz nada ¬¬ As nossas leis que não punem menores infratores prejudica, os impostos absurdos que nós pagamos prejudica, e justamente o que ninguém deveria estar preocupado, que a questão se a pessoa vai casar com alguém do mesmo sexo ou não, ai todo mundo quer se meter! sou da seguinte opinião: libera tudo ai ¬¬ kkkkkkk sério, deixem os homossexuais serem felizes e fazer o que eles quiserem, eles são grandinhos e já podem tomar decisões, não tentem escolher por eles.

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