26/05/2013

Ego

Eles estavam ali, me olhando do outro lado do vidro. E eu olhava para eles. Estavam todos ali: todas as pessoas, todos os nomes, tudo. Eles interagiam entre si e, ao mesmo tempo, pareciam querer apenas chamar minha atenção, me impressionar. Não demonstrei um pingo de emoção, não cedi à influência. Mantive meu rosto impassível e frio através do reflexo daquela fria multidão. Multidão tal que um dia fora eu.

Entrelacei meus dedos ao dele com força e lhe lancei um olhar significativo. Meu ego; meu eu. Apenas ele entenderia aquilo e a importância que tinha para mim. Ele me deu um sorriso firme, um sorriso de apoio, e voltou seus olhos à multidão e, depois, a mim novamente. Estava se comunicando, simplesmente se expressando comigo.

Por alguma razão, não me assustei. Não me parecia algo muito difícil de entender. Os olhos dele diziam o que o silêncio da minha boca não conseguia e, sendo ele eu, eu pude compreender perfeitamente. Não posso dizer o que aqueles olhos diziam e suponho que não vá ser relevante a ninguém que se preze. Era apenas mais um segredo: de mim para eu próprio. Era o NOSSO segredo.

Juntos, olhamos para eles novamente. Pareciam bem menos assustadores agora que eu havia me encontrado, ou melhor, encontrado uma solução para mim. Meus fantasmas não poderiam fazer mal a mim se eu não permitisse. E eu não voltaria a permitir. Aqueles dedos frios não voltariam a me tocar e eu estava seguro disso. Eles estavam todos trancados, juntos e se aniquilando. Estavam todos presos em uma caixa mal-iluminada, sem poderem ir para frente ou para trás. Passado não sai lá de trás, passado é apenas um fantasma que irá te assombrar vez ou outra, mas apenas se você permitir.

Meu presente era aquele grosso vidro com blindagem e eu... eu estava no outro vão daquela sala branca, o vão iluminado. Eu estava livre, tinha encontrado a minha própria companhia e, o fim daquele vão da sala, devo dizer que eu não conseguia enxergar. Até hoje não consigo enxergá-lo, e isso é bom. Apenas mais um mistério para saborear a vida. Vida essa que eu agora poderia aproveitar como e onde quisesse, no vão da sala representante do futuro. Tudo o que eu via dali era o brilho do céu, o brilho do sol nos meus próprios olhos. Eu estava, finalmente, livre.


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