27/05/2013

Natural


Depois de alguns bons meses passei na roleta para pegar o metrô. Carregava minha mochila velha nas costas, e o moletom amarrado na cintura. Entrei no quarto vagão, me sentei perto uma uma moça com um bebê no colo e desci duas estações depois. 

Fui andando plataforma afora, e relembrando as inúmeras vezes que estive ali, durante toda a minha vida. Com as pernas meio pesadas da viagem que fiz das cidade dos lagos encantados até ali, subi as escadas para me deparar com você do outro lado das roletas. 

Primeiro fiquei parada por alguns (longos) segundos, bem na beira escada, examinando para ver ser era isso mesmo que acontecia. Você estava com a mesma cara e os mesmos trejeitos de três, quatro anos atrás, todo concentrado olhando para o lado esquerdo. As pessoas saiam da plataforma e vinham me contornando, já que estava no caminho. 

Consertei o cabelo, vesti o moletom - nessa época sempre faz frio na estação, né. Passei na roleta da extrema direita, para você não me ver logo de cara. Já estava acostumada com sua rotineira distração, que parece não ter mudado uma vírgula. 

Quando estava bem perto e já ia pegar no seu braço de supetão você virou e quem se assustou fui eu. Cobri parte do meu rosto com a mão direita, como faço quando fico sem graça. Coloquei minha franja atrás da orelha e quando dei por mim sumi no seu abraço. 

Ficamos um tempo abraçados, e eu estava surpresa por depois de tanto tempo, me sentir tão bem daquela forma. Não precisamos de muita cerimônia, mesmo com mais de três anos sem nos vermos, e de longe foi difícil para que nós nos beijássemos. Você como sempre, lendo as minhas entrelinhas e o silêncio era mais que suficiente.

Mesmo com dificuldade parei para pensar e foi aí que eu lembrei que isso é natural de nós dois... sempre vai ser. E pela primeira vez, depois de muito tempo não precisei de lutar contra aquilo tudo. 

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