12/06/2013

Eu tenho a mim


Entrei te procurando, confesso. Olhei um por um até encontrar você do outro lado, vidrado na minha direção. Já tinha ouvido dizer que você não enxerga mais nada quando estou por perto, e agora eu tinha mais certeza. Me preocupei em não desviar os meus olhos dos seus até que estivéssemos próximos o bastante para que pudéssemos nos abraçar.

Você passou seus dois braços em volta da minha cintura, me apertando com certa força, encaixando o maxilar perto da minha clavícula. Usei meus braços apoiados na sua nuca para poder passar o meu nariz perto do seu cabelo, e depois até o fim do seu pescoço, enquanto você me colocava no chão. 

Quando te olhei você sorria para mim e então resolvi que devia te beijar, mas me contive por puro orgulho. Coloquei minha mão direita perto da sua orelha, fazendo carinho. Você ia fechando os olhos devagar enquanto colocava sua mão por cima da minha. Fiquei curtindo aquilo tudo, até você resolver o meu problema e unir os seus lábios nos meus.

Eu não me incomodava com a presença das outras pessoas, e parecia que você também não. Você me abraçava com vontade, e eu conseguia sentir meu coração pulsar contra seu peito. Quando a nossa sede passou, nos sentamos juntos. 

Você me observava com atenção enquanto eu gesticulava, e elogiou o meu jeito de falar. Eu, sem graça, confessei que fui na loja só para sentir o perfume que você usa. E não me arrependi de ter dito, porque ouvir sua gargalhada era o que eu queria. Nos curtimos por mais algumas horas. Nos despedimos. Fui para a minha casa, e você para a sua.

Tirei meu vestido - aquele que escolhi a dedo só porque você ia me ver -, vesti meu pijama de flanela e não me senti decepcionada por um segundo sequer. Eu estava no meu quarto, sozinha. Agradeci todas as entidades que creio por não ter esperado nada daquela noite, e mesmo assim por você ter entrado na minha vida. De ter tomado conta de tudo, apagado qualquer vestígio de amor pretérito, me chamado de gostosa e não soar pejorativo. Afinal, se eu me sentia bem a culpa era sua. Sabe aquela sensação que você tem a impressão de que terá só uma vez? Então...

Não me importava ser dia 12 de junho. Me olhei no espelho, e verifiquei que cada elogio seu era verídico. Girei lentamente para que eu pudesse me examinar com mais afinco, e concluí que nunca me amei tanto na vida.

Eu escrevia seu nome no meu pulso com caneta colorida (como fazia no ensino fundamental), e ficava olhando o meu celular. Nada de ligação. Nada de mensagem. E está tudo bem. Essa coisa toda de não saber a próxima vez que vou te ver deixa tudo mais interessante. Eu sempre vou querer sair um pouco mais bonita, eu sempre vou ficar verificando meu hálito de minuto em minuto, eu sempre vou ter essas borboletas no estômago, eu sempre vou ter você e mais um milhão de opções.

Simples assim: você não é meu namorado, e quem sai ganhando, sou eu. Eu tenho a mim.

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