12/06/2013

Sobre o terceiro ato contra o aumento da tarifa em São Paulo

Como todos já devem estar sabendo, ontem aconteceu o terceiro ato contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em São Paulo. Antes a tarifa custava 3 reais e, agora, custa 3,20. O segundo ato aconteceu na região do Largo de Pinheiros no sábado e o primeiro na Avenida Paulista, na última quinta-feira sendo que este havia resultado em fogo na Nove de Julho, confronto com a polícia militar e depredação. Não estive lá, fiquei sabendo por meio de informes e fotos de quem havia comparecido. No terceiro ato, entretanto, eu estive e relatarei os fatos sob o meu ponto de vista.


O encontro de manifestantes estava previsto para as 17h na Praça do Ciclista. Apesar do meu interesse nas questões sociais do país, fiquei muito na dúvida se deveria ou não ir nesse protesto -- já que no primeiro e no segundo não pude -- por conta dos casos de depredação que deram notícias a muitos jornais. Sou pacifista. Combinei com algumas amigas e acabamos indo mas, como choveu de tarde, não encontramos com o pessoal da Praça do Ciclista. Ficamos andando pela Paulista por um tempo procurando notícias do protesto até que um grupo com algumas dezenas de pessoas passou pela gente convidando a irmos para a Praça Roosevelt nos unirmos ao protesto. Seguimos essa galera ao longo da Rua da Consolação. Estavam todos em silêncio e com o tempo acabamos ajudando a animar a galera com gritos de guerra. Quando chegamos na Praça Roosevelt já não havia mais ninguém e assim prosseguimos com a nossa marcha. Passamos pela República e pelo Viaduto do Chá onde, em frente a Prefeitura, havia centenas de policiais -- armados, com capacetes e etc. Eles ficaram apenas parados, observando enquanto passávamos. Seguimos pela Rua Direita e viramos na General Carneiro -- eu e minhas amigas já estávamos na vanguarda da marcha -- quando olhei para trás e simplesmente fiquei mudo: sem que eu soubesse muito bem como, as dezenas de pessoas haviam se tornado centenas, um mar de gente nos seguindo e bradando. Nos direcionamos para o Parque Dom Pedro.


No Parque Dom Pedro, alguns manifestantes pediram para que nos abaixássemos e nos informaram que a outra parte do protesto -- a que tentávamos encontrar mais cedo -- estava na praça da Sé onde, inclusive, havia policiais. Aliás uma viatura havia passado por nós enquanto descíamos a General Carneiro, o que achei estranho. Enquanto tentávamos nos organizar algumas pessoas subiram a rampa espiralada do Terminal e alguns dos manifestantes começaram a tapar a cara com lenços. Alguém soltou um rojão. Ficou combinado que iríamos para a praça da Sé -- alguns queriam ir imediatamente e outros disseram que era preciso organizar direito antes. Percebendo as divergências, chamei minhas amigas para irmos embora -- supus que não tardaria a começar a confusão.

Não deu outra: quando cheguei em casa soube que poucos minutos após o rojão os militares cercaram os manifestantes no Parque Dom Pedro e começaram a atirar com balas de borracha, acontecendo caso semelhante na praça da Sé. Fiquei sabendo inclusive que esse cerco já havia sido combinado entre eles antes mesmo de chegarmos ao Pq. D. Pedro. O resto disso é o que os jornais noticiam e eu mesmo não sei muito além: protestos pela Brigadeiro, Paulista fechada, confronto com policiais, milhares de manifestantes unidos, um babaca filho de uma puta atropelando dois manifestantes, mais de uma dezena de detidos, bombas, gás lacrimogêneo, fogo.


O protesto, em si, não muda muita coisa. A questão do protesto, como acho que todos já sabem, está em chamar atenção para a questão. Entre os militantes para variar estão havendo aqueles debates exaltados entre os que defendem protestos radicais e os que defendem protestos pacifistas. Mas fato é que milhares de pessoas estão indo às ruas e, entre elas, há radicais, pacifistas e etc. A luta é uma só, a interpretação dela é que varia de pessoa para pessoa -- mas a questão é que o preço da passagem aumentou e (quase) ninguém está satisfeito com isso. Infelizmente a mídia não divulga as informações de forma imparcial -- embora muitas vezes em casos assim ela simplesmente não pode fazer isso -- então cabe ao cidadão correr atrás de várias opiniões e informações opostas sobre uma mesma questão para entender um pouco melhor o que está acontecendo. Fui para o ato não apenas lutar pelos meus direitos como também em busca da verdade: queria ver com os meus próprios olhos quem está menos errado. Quase todo mundo me disse que quem começou o ataque foi a polícia, embora a televisão diga o contrário, e eu tenho meus argumentos a favor e contra ela quanto a isso. Quanto aos manifestantes, também. No meio da luta há um confronto de ideologias de ambos os lados -- tanto militar como militante -- então não podemos simplesmente dizer "todos os militares estão lá para defender a sociedade" assim como não podemos dizer o mesmo dos militantes. A luta continua e eu provavelmente postarei mais sobre essa questão aqui no blog, já que tem rendido muitas coisas sobre as quais preciso falar.

Hoje houve uma reunião dos líderes do Movimento Passe Livre com o Haddad e o Alckmin, segundo os noticiários. Me parece que o acordado foi de que os protestos cessarão caso a passagem volte ao seu preço normal conforme sugerido na reunião e voltarão caso o preço volte a subir. Todo caso, para amanhã está previsto o quarto protesto contra o aumento da passagem.
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