16/06/2013

Sorte


De longe e à horas eu olhava a sua boca e imaginava o gosto de bebida que ela teria. Queria que fosse alguma fruta para que eu a devorasse, ou um cigarro para tragá-la. Você tem dessa coisa que me atrai e eu não sei explicar. Me guiei por onde você passou com a sua camisa cor de rubi. Durante uma música que nem sei o nome te puxei para dançar, e a sua malemolência era tudo o que eu queria acompanhar. Grudei meu rosto no seu, com o nariz perto da sua orelha para sentir aquele cheiro que esperei a semanas. Giramos algumas vezes, e comecei a derreter colada em você. A musica acabou, você se consertou e se livrou de mim. Você continuou naquela coisa toda, brilhando até me arder os olhos, indo embora. A sorte é relativa, pensei. Dancei sozinha.

Fui me descobrindo... aquilo que você deixou por fazer. Constatei que havia usado todas as minhas armas contra você - os cabelos, a boca, a cintura, as coxas, eu - e mesmo assim estava só. Teci as possibilidades de vantagem naquela situação e as destilei em cada um que dançou comigo por uma ou duas músicas; em cada um que me agarrou pela cintura como você devia ter feito.

Dois copos depois e eu nem me preocupava mais. Eu me saciava apenas com o fato de que existe alguém além de você. A sorte é relativa, pensei. E minha também.

5 comentários:

  1. A melhor definição seria: grandes agonias, remetem-se a grandes criações, fabuloso!

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    1. Sou uma boneca, e minha corda é a tristeza.

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    2. de fato e repito "por que eu não pensei nisso antes?"

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