23/07/2013

Literal - mente


Fecho os olhos para poder te ver melhor. Me cubro com aquele cobertor velho para finalmente te sentir debaixo dele. Uso das minhas próprias mãos para ter o teu carinho. E ali fico te amando, por horas a fio.

Me desvencilhei de você fisicamente, mas literalmente, meu coração está contigo. Sinto seu cheiro independentemente da sua vontade. Sinto você - mais da minha metade. Meu amor, meu amor é alheio à você. Ele é literal, mas só aqui. Só comigo, só para mim.

Nunca saberá o que eu existo de você aqui. Jamais saberei o que por mim habita em ti. 

Fecho os olhos novamente e vejo tua pele, tuas cores, tuas coxas, teus pés. Os abro e ouço promessa por promessa, gargalhada por gargalhada, meu nome no teu timbre, no teu tom, no teu ritmo; no meu contratempo. 

Me abraço e desapareço nas minhas próprias mãos, desfaleço no meu próprio cárcere. Sinto o cheiro da nossa carne. Do nosso suor. Lembro-me de onde escondi o resto do pudor que havia em mim (dentro de ti).

Meu amor é literal. 
É fogo, é dor - em mim.
É o resto do que não faz falta - sou eu.

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