01/07/2013

Pop

Acho que isso me inspira um sentimento, essa situação estranha à qual nos submetemos hoje. Não sei dizer o que mudou, mas há um quê de diferente em todo esse clima. Estamos mais atraentes, nossos corpos e linguajares suburbanos foram modificados e o que antes era nosso pequeno grupo aumentou. Quanta gente ao nosso redor, quantos amigos e conhecidos, rostos beijando nossas faces e abraços nossas costas. Somos os populares que antes queríamos ser, somos os melhores amigos de todos aqueles que por alguma razão admirávamos tempos atrás. Nossos pequenos ídolos encarneceram-se e de tão reais já não mais brilham como antes.
            
Brilhamos tanto quanto nossos antigos ídolos, ou até mais. Se eles passaram por todo um processo de decadência ou nós pelo de ascensão já não mais interessa. Refletimos se os olhos atentos lá fora nos acompanham com o mesmo fervor com o qual acompanhávamos nossos antecessores e aderimos às imposições sociais de beleza e socialização. Criamos uma imagem em cima do que somos para enfim sermos vendidos como meras ideias. Sofremos a escravidão da vaidade revolucionária e divina. Tornamo-nos ícones dentro de um contexto na simplória esperança de sermos admirados.
            
Tudo é uma questão de inspiração: ver alguém e usar a mesma roupa com o cabelo de outra pessoa e um toque de algo que já temos, na esperança de alguém espelhar-se em nós e inspirar-se. Na esperança de que alguém deseje ser quem somos, deseje ter o que temos ou exclusivamente ter-nos por completo. Inspirar é ser desejado, é uma deprimente carência que de tão grande não cabe no nosso próprio cotidiano: é preciso estarmos dentro até mesmo das pessoas desconhecidas. A vaidade é o reflexo da solidão capitalista, e nós as armas de nossa própria solidão egocêntrica. Somos o cuspe desesperado do nosso profundo objeto de desejo, uma confusão luxuriante perdida entre restos e nichos procurando ser alguma coisa.
            
E tudo isso nos trouxe aqui, de volta ao ponto de encontros de outrora. As andanças de nossas almas desde a nossa separação se torna evidente em cada gesto nosso. Pessoas inimagináveis se uniram por motivos talvez mais profundos do que a minha compreensão. Laços relacionamentais foram modificados, alguns desfeitos e criaram-se novas alianças -- trocaram-se novas alianças. E afinal, no meio de tanta gente tentando ser uma imagem presente se transportando para todos os lados, de fora pude enxergar com maior clareza quais laços realmente contribuíram para o que eu sou hoje. Alguns laços se tornaram fortes o suficiente dentro de mim a ponto de cultivarem uma intimidade que mesmo após anos apodrecida, floresce novamente como se nunca tivesse deixado de existir num simples reencontrar com velhos amigos.


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