08/07/2013

... todo você.


Se me perguntarem como chegamos ali, eu simplesmente não conseguiria responder.

As luzes eram amarelas e médias, havia uma almofada branca enorme meticulosamente colocada no centro do recinto. Olhei todas aquelas paredes de tecido, os galhos do lado de fora... estávamos no alto. Numa casa na árvore. Você foi fechando todas as janelas e a espécie de porta que havia ali. Eu me sentei por cima das pernas, e fiquei te observando. Eram duas janelas, e quando você fechou a primeira e ia para a segunda,  virou-se para mim apenas para que eu pudesse ver seu sorriso, sua boca e quisesse te beijar ainda mais. Morder seus lábios, seu queixo...

Consegui parar de pensar quando você, fechando a segunda janela, veio na minha direção. Nós nos olhávamos demasiado, passeando o olhar por todo o corpo um do outro. Você sorria com malícia, enquanto tirava a camisa. Eu caí de lado na almofada, rindo daquele jeito que eu já te expliquei que é por não conseguir exteriorizar o que eu sentia.

Você veio andando ajoelhado, me levantou com veemência e me beijou devagar e docemente. Coloquei os meus braços em volta do seu pescoço, te apertando a nuca. Você puxou a minha blusa devagar e a subiu, até que ela passasse por minhas mãos, acima das nossas cabeças.

Fui sentindo seu abraço mais e mais forte, e a muito tempo não me sentia tão bem com tão pouca roupa. Nos deitamos naquele mar branco (mar sim, porque não conseguia ver mais nada além de você), eu te senti e você me sentiu em cada milímetro de nossos corpos. Às vezes eu sentia seu pés, sempre sentia seus braços, seu peito, sua boca... Ficava com a mão direita na sua nuca, passando no seu cabelo, e arrepiava inteira quando você passava seu queixo pela minha clavícula para me beijar o pescoço.

Senti você me apertando por cima da minha escápula, e me segurei em você com os braços e as pernas. Nos viramos, e agora eu podia te ver inteiro. Todas as suas marcas, pintas... todo você. Estava sentada no seu quadril, e me curvei para poder te beijar de novo, mais uma vez, e mais algumas. 

Você veio passando os seus dedos indicadores, médios, anelares e mindinhos por minhas costas, e os polegares pela minha barriga, desenhando a minha cintura. Nos olhávamos como os mais apaixonados dos cúmplices, enternurados. Me deitei em você, pra te sentir inteiro de novo. 

Abri os olhos e olhei para fora. O sol das oito da manhã entrava meu quarto afora. Eu estava envolta do meu cobertor xadrez. Suspirei. 

Me levantei para escrever sobre o meu sonho, porque aí o eternizarei.

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