25/08/2013

Corrida pelo inalcançável

Preciso correr pra não ficar pra trás. Tudo aquilo em que me sustentei está se movendo tão depressa que meu chão não é outra coisa mais senão uma esteira. Sem fim. Minhas pernas se cansam, endurecem, adormecem, enfraquecem, mas não posso ceder -- por que não posso ceder? Se eu cedo agora, ainda cedo, meu próprio peso se voltará contra mim e eu cairei. Espatifarei minha cara no chão e continuarei seguindo, um peso morto qualquer acima da esteira, como tantos outros por aí. As centenas de pessoas que antes me seguiam pularão por cima de mim e seguirão em frente em suas próprias corridas para chegar sabe-se-lá-onde -- o Infinito.

Parece tão bobo desse ângulo, vendo o quão parecido sou com tantos outros. O fim da corrida parece tão inalcançável que a resposta mais sábia parece ser apenas se deixar levar, se jogar duramente no solo esperando perder a consciência, a capacidade de lutar, a possibilidade de ver o quão ridícula é essa nossa luta coletiva em busca de um pseudo poder individual. Por que tudo isso importa? Dinheiro, roupas, pessoas, amores, felicidade. Por que tanta competição? Por que tantos obstáculos me impedindo de ser quem eu sou?

Eu não quero lutar. Eu não quero correr. Eu não quero agradar ninguém, ser simpático ou seguir qualquer protocolo. Eu não me importo realmente. Não faço parte de todas essas pessoas iguais, diferentes, não pertenço a lugar nenhum. Alguém deve ter me botado aqui sem eu ter percebido, sem que eu saiba o porquê. Meu lugar não é aqui, disso eu tenho certeza. Amo muitas pessoas e coisas que odeio, amo existir, mas a existência é detestável. Somos todos detestáveis. Eu quero um pouco de tudo, alcançar o inalcançável, mas também quero morrer um pouco. Todos os dias. Para sempre.



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