25/10/2014

Conheço-te

Eu olho e reconheço-te.
É você quem fez morada em todos os meus devaneios;
lascivos ou sofridos,
felizes ou mórbidos.

Reconheço-te.

No formato do seu rosto,
nos seus dentes me dilacerando inteira, à distância.
Nos seus olhos grandes,
de cor de café,
mesmo fechados, mesmo cerrados.

Ainda reconheço-te.

Reconheço-te com o corpo envolto por outros abraços,
afogando o queixo em qualquer clavícula,
com as mãos apoiadas em qualquer outra escápula.

Dói reconhecer-te
no homem que foi embora,
no amor mal resolvido.

Mata-me reconhecer-te
em toda dor,
em todo amor.

Reconhecem-te em mim.
No brilho do meu olhar,
nas minhas lágrimas.
Meus olhos são teus.

Reconhecem-te no meu corpo;
na minha tatuagem cuja dor foi para superar a sua.
Sua dor que está em mim.

Reconhecem-te em mim, dolorosamente.

E tu reconhece-me,
em mim.

Um comentário:

  1. Oi, Ceres!
    Indiquei você numa tag. Beijinhosss
    http://goo.gl/BPldOY

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